quinta-feira, 3 de abril de 2025

Quebrar o medo e o tabu da morte é o mote do livro «A Morte é Um Dia Que Vale a Pena Viver»

Além do livro Easyway – O Método Fácil para Deixar de Fumar, outra das novidades da Pergaminho é a edição de A Morte é Um Dia Que Vale a Pena Viver, da autoria de Ana Claudia Quintana Arantes, médica especializada em Cuidados Paliativos, que na introdução da obra escreve: «Será que algum dia as pessoas serão capazes de desenvolver uma conversa natural e transformadora sobre a morte?».


A autora brasileira deste bestseller internacional (publicado no Brasil em 2016 e em Portugal em 2019, pela Editora Oficina do Livro) argumenta, enquanto profissional que convive com pessoas em final de vida, que «a morte é um excelente motivo para procurar um novo olhar para a vida». O pensamento de Ana Claudia Quintana Arantes assenta na filosofia budista, que ensina a viver a morte de uma forma mais serena, com compaixão. A autora acredita ainda que os ocidentais devem perder o medo da morte, quebrando o tabu que ainda persiste na sociedade e na própria medicina. A Morte é Um Dia Que Vale a Pena Viver é, sobretudo, um manual sobre o luto para aqueles que querem aprender a viver ao lado de alguém que está próximo da morte.

«Para estar ao lado de alguém que está a morrer, precisamos de saber como ajudar a pessoa a viver até ao dia em que a morte chegar. Apesar de muitos escolherem viver como mortos, todos têm o direito de morrer vivos.»

Ana Claudia Quintana Arantes é médica formada pela Universidade de São Paulo. É pós-graduada em Psicologia (Intervenções em Luto) e especializada em Cuidados Paliativos. É sócia-fundadora e presidente da Associação Casa do Cuidar. É autora de Histórias Lindas de Morrer (2020) e Para a Vida Toda Valer a Pena Viver (2024).

Outro livro que pode interessar: Sendino Está a Morrer, de Pablo d’Ors.

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Nova edição de «Easyway – O Método Fácil para Deixar de Fumar»

Além do livro A Morte É Um Dia Que Vale a Pena Viver, outra das novidades da Pergaminho é a nova edição de Easyway – O Método Fácil para Deixar de Fumar, que contempla as novas formas de consumo de nicotina, como o vaping, os cigarros electrónicos ou qualquer outro tipo de produto com nicotina.

Quer deixar de fumar? Conheça o método dos famosos, como Robert Pattinson, Ellen DeGeneres, Anthony Hopkins, Jason Mraz e David Cameron, que testaram a eficácia do método e garantem ter deixado de fumar sem esforço, de forma imediata e definitiva.
Easyway, o reputado método de Allen Carr, já ajudou milhões de fumadores a largar o vício de forma rápida, eficaz e sem sofrer de ansiedade.

Allen Carr, fumador compulsivo durante 33 anos; chegou a fumar 100 cigarros por dia. Aos 48 anos, a 15 de julho de 1983, deixou de fumar, de um dia para outro. E até à sua morte, aos 71 anos, não voltou a ter a mais pequena vontade de pegar num cigarro. O que o motivou a deixar de fumar – e o que fez com que passasse o resto da vida livre do vício – é detalhadamente explicado no seu bestseller internacional, Easyway – O Método Fácil para Deixar de Fumar (chega às livrarias a 10 de Abril, com tradução de Margarida Pacheco Nunes), que é o livro mais vendido em todo o mundo nesta área.

É reeditado «A Escolha de Sofia», o romance que inspirou o filme com Meryl Streep


A Livros do Brasil relança A Escolha de Sofia, romance publicado em 1979 que tornou-se rapidamente uma obra-prima, conquistando o prestigiado National Book Award em 1980. A sua poderosa narrativa ganhou uma nova dimensão em 1982, com a adaptação ao cinema, imortalizada pela extraordinária interpretação de Meryl Streep, que lhe valeu o Óscar de Melhor Actriz — um desempenho arrebatador que permanece, até hoje, como um dos mais marcantes da história do cinema.

Este livro da autoria de William Styron (1925-2006) é uma narrativa poderosa, que nos confronta com os grandes dilemas humanos, como a culpa, a sobrevivência, o amor, a obsessão e o impacto traumático da violência extremista. 

A obra segue Stingo, um jovem aspirante a escritor que chega a Nova Iorque na tentativa de construir uma carreira literária e que se vê envolvido na intensa e complexa relação entre Sofia Zawistowska, uma mulher polaca marcada por uma escolha impensável feita em Auschwitz, e Nathan Landau, o seu carismático, mas instável, amante. O romance entrelaça passado e presente, mergulhando nas profundezas da alma humana e expondo as cicatrizes deixadas por memórias que não se apagam e por uma História que continua a ecoar.

A nova edição, com tradução de Fernanda Pinto Rodrigues, já se encontra disponível nas livrarias e promete emocionar e marcar uma nova geração de leitores.

terça-feira, 1 de abril de 2025

Em Abril saem livros sobre Filosofia, Astronomia, Biologia e Xadrez

Religião Sem Deus
, de Ronald Dworkin

Haverá religião sem Deus? Poderá haver algo ainda mais fundamental do que Deus, mesmo para aqueles que acreditam na sua existência?

Neste livro original e inteligente, um dos grandes filósofos do século XX responde afirmativamente a ambas as questões. Argumentando que há verdades objectivas acerca do que é valioso prévias a um compromisso teísta, Dworkin defende uma perspectiva filosófica a que chamou ateísmo religioso. Essas verdades fundamentais dizem respeito à vida de cada um dos seres humanos e à estrutura do Universo.
A descoberta de tais verdades, segundo Dworkin, não é apenas um resultado intelectual. É também, e sobretudo, um compromisso moral e emocional perante a importância de viver bem a vida e a beleza intrínseca do Universo. Respeitar e admirar as vidas dos outros, sejam elas célebres ou anónimas, e sentir-se maravilhado pela beleza e a inteligibilidade do Universo são experiências que unem teístas e ateístas, satisfazendo o impulso religioso fundamental dos seres humanos.
Pelo facto de serem comuns aos seres humanos, estas experiências justificam a esperança de que teístas e ateístas sejam parceiros nas suas ambições religiosas. Se o forem, conclui Dworkin, cumprir-se-á o ideal igualitário de independência ética.

«[Um] livro maravilhoso... Dworkin é sempre admiravelmente claro e intelectualmente honesto – é isso que torna o seu livro tão agradável de ler...» Michael Rosen

Outra publicação recente da Gradiva: O Mel sem Abelhas.


À Descoberta de Vida no Cosmos
, de Lisa Kaltenegger

Como é que encontramos vida alienígena a distâncias cósmicas? O que é de facto a vida?

Durante milhares de anos, os humanos têm-se interrogado se estaremos sozinhos no cosmos e pela primeira vez, na nossa história, dispomos de tecnologia para investigar. Mas quando se procura vida noutros lugares, percebe-se que não é assim tão simples.
A astrofísica Lisa Kaltenegger, diretora do Instituto Carl Sagan, lidera uma equipa multidisciplinar dedicada a desenvolver ferramentas para detetar vida em exoplanetas. Neste livro, utiliza a Terra como uma Pedra de Roseta para interpretar a história e a biosfera do nosso planeta, oferecendo insights para a busca por vida em outros mundos. Com entusiasmo, a autora explora exoplanetas extraordinários, como aqueles cobertos por oceanos de lava ou deambulantes no espaço, e discute os melhores candidatos a planetas habitáveis.
A autora mostra-nos como a ficção científica se aproxima cada vez mais da realidade.

«O estilo narrativo descontraído de Kaltenegger, convida-nos a vivenciar os desafios e as alegrias de ser um cientista na vanguarda da descoberta.» Neil Degrasse Tyson


A Célula - Grande Construtora da Vida
, de Alfonso Martinez Arias

Baseando-se na sua investigação pioneira, o biólogo Alfonso Martínez Arias revela-nos que somos compostos por uma sinfonia de células de uma complexidade emocionante e em constante reorganização, que sabe contar, sentir e que dá forma ao nosso corpo.
Embora o ADN seja importante, os nossos genes não explicam por que temos o coração no lado esquerdo, por que há cinco dedos em cada mão, porque têm os gémeos impressões digitais diferentes ou por que é possível que uma mãe não tenha o mesmo ADN que os seus filhos biológicos.
No centro de tudo isso está uma nova e poderosa conceção da essência da vida: as nossas identidades são formadas pelas interligações existentes entre as células. Estas cooperam para criar algo maior do que elas: a linhagem ininterrupta que nos liga ao óvulo fecundado a partir do qual nos desenvolvemos e à primeira célula viva da Terra, que remonta a milhares de milhões de anos da história do nosso planeta.

«Por si só, o ADN é impotente, inerte. Precisa de uma célula para operar as suas maravilhas e essa célula está em permanente interação com o ambiente. Este livro belo e de explicações claras irá mudar a forma como pensamos no ADN, sobre como aqui surgimos e sobre a própria vida.» Matthew Cobb


A Revolução no Xadrez
, de Peter Doggers

Um dos melhores jornalistas de xadrez do mundo explora a razão pela qual, após 1500 anos de existência, o xadrez nunca foi tão popular como agora.
O xadrez não é apenas um dos maiores jogos alguma vez inventados. Tem também inspirado escritores, pintores e cineastas e sido um motor secreto de revoluções técnicas, como a Inteligência Artificial, que estão a transformar a sociedade.
Nesta fascinante história do jogo e do seu impacto no mundo, o aclamado diretor de comunicação e eventos do Chess.com, o jornalista Peter Doggers, revela como os computadores e a Internet reforçaram ainda mais a magia intemporal do xadrez, conduzindo-o a um novo pico de popularidade e relevância.
Doggers explora o xadrez enquanto fenómeno cultural, desde os seus primórdios na Índia antiga, passando pelas suas maiores estrelas dos últimos tempos - como Garry Kasparov, Bobby Fischer e Magnus Carlsen - e momentos mais dramáticos, até ao atual impacto da Internet e da IA.

«A Revolução no Xadrez dá uma visão geral, divertida e instrutiva de um jogo que está a ser reinventado.» Financial Times

sábado, 29 de março de 2025

Novo livro de especialista europeu em 'mobbing' e 'bullying' entre as novidades de Psicologia


Melanie Tavares colabora em diversos órgãos de comunicação social em temas relacionados com a Psicologia e a sociedade. A psicóloga e comentadora da actualidade criminal na TVI, apresenta o seu livro, De tanto sofrer, esqueci-me de viver, que contém um prefácio da autoria de Manuela Ramalho Eanes e um posfácio de Manuel Luís Goucha.
Além deste livro, a 
8 de Abril a editora Planeta lança também Chama-lhe o Que Quiseres e A Orquestra Feminina de Auschwitz. Conhece outras novidades da editora, aqui.

Sinopse
Aos 10 anos, Melanie Tavares presenciou a morte súbita de uma amiga, um evento traumático que moldou, de maneira definitiva, a sua vida e as suas escolhas. Este episódio fez com que, anos mais tarde, se dedicasse à Psicologia, para compreender o sofrimento humano e as formas de lidar com as adversidades da vida, mas também, e sobretudo, para ajudar todos aqueles que, como ela, passaram por situações traumáticas.
Situações como a morte de alguém que nos é próximo, o diagnóstico de uma doença grave ou crónica, um processo de divórcio doloroso ou anos de abuso, podem desencadear em nós sintomas como medo, pânico, ansiedade, tristeza, depressão, insónia, distúrbios alimentares, isolamento social, entre outros. Cada experiência traumática é única, mas o que é comum a todas é o facto de deixar marcas profundas, que moldam a forma como pensamos, agimos no dia a dia e nos relacionamos com os outros.
Neste livro com dicas, reflexões e exercícios, a psicóloga Melanie Tavares vai ajudá-lo a identificar, compreender e resolver os seus traumas e a criar uma vida sem estas feridas emocionais, com mais e melhor saúde mental. Porque não podemos deixar que o sofrimento e a dor nos impeçam de viver.

«Muitas pessoas, nestes casos de trauma, descobrem uma força e uma energia que nem sonhavam ter, contagiando quem as rodeia. Não se trata de superpoderes, trata‑se de encontrar em si a luz, ver mais lá no fundo, basear as suas atitudes em esperança e potenciar a resiliência. Trata‑se de não esperar para agir, de fazer o que o faz feliz, de não se esquecer de viver.»


Iñaki Piñuel
é um psicólogo, psicoterapeuta e professor universitário espanhol. É um dos principais especialistas europeus na investigação e divulgação do abuso laboral e escolar (mobbing e bullying) e no abuso e maus-tratos narcisistas e psicopáticos. É autor de Amor Zero (2017), Família Zero (2021) e Liberdade Zero (2024), todos publicados pela A Esfera dos Livros, editora que lança agora Sair do Inferno.


Sinopse
É possível sair do inferno psicopático e narcisista. As personalidades psicopáticas representam uma mutação nociva da espécie humana.
Estes parasitas e predadores intraespecíficos vivem à custa da destruição emocional dos outros, sobretudo dos seus parceiros. Sabendo que nunca mudarão, o melhor é pormo-nos a salvo o quanto antes, cortando completamente com eles e implementando o Contacto Zero. Libertar-nos do inferno das relações com psicopatas e narcisistas é possível, caso saibamos enfrentar mecanismos de vitimização sem paralelo.
É uma oportunidade para empreender mudanças pessoais e alcançar o amadurecimento psicológico e o crescimento espiritual que resultem num avanço decisivo e determinante nas nossas vidas.
Este livro fornece as chaves para a saída do inferno psicopático, baseando-se, para tal as décadas de experiência do autor, especializado em ajuda psicoterapêutica (profissional) de vítimas destes indivíduos.

Conhece aqui os lançamentos de Janeiro e Fevereiro d'A Esfera dos Livros.

«Virar a Página» e «A Arte de Construir o Futuro» são as mais recentes novidades da PACTOR


Virar a Página e A Arte de Construir o Futuro são as mais recentes publicações da editora PACTOR.

A primeira obra, dos psicólogos com vasta experiência clínica Sofia Gabriel e Mauro Paulino, tem como missão ajudar o leitor a superar o fim de uma relacção com estratégias baseadas na ciência psicológica. Contém histórias reais de superação, exercícios práticos de autoconhecimento e indicações de passos para curar um coração partido e sinais de alerta para o início de uma nova relação.

Texto de apresentação

Ler este livro é dar o primeiro passo para um novo começo! Um ato de amor-próprio e fortalecimento emocional.
O fim de um relacionamento amoroso pode ser uma das experiências mais intensas e dolorosas da vida. A psicologia tem vindo a mostrar que esse momento exige não apenas um processo de luto, semelhante ao da perda por morte, mas também uma profunda reconstrução da identidade, um reencontro consigo mesmo e uma reflexão sobre o passado e o futuro.
Neste livro, Sofia Gabriel e Mauro Paulino combinam conhecimento científico atualizado com estratégias práticas para o ajudar a superar o fim de uma relação. Com uma abordagem empática e acessível, oferecem explicações claras sobre as emoções que surgem nesse processo e, acima de tudo, apresentam ferramentas eficazes para recuperar o equilíbrio emocional e seguir em frente com confiança.
Enriquecida com testemunhos e histórias reais de superação, esta obra é um verdadeiro guia para quem se sente perdido, deseja recuperar a autoestima e retomar a sintonia com a vida.

Nota dos autores
«Este livro aborda somente o processo de luto pela perda de uma relação amorosa. Não vamos refletir sobre a discussão monogamia versus poligamia ou o processo de tomada de decisão de perdoar uma traição e (potencial) reinventar da relação. Também não explora outras problemáticasigualmente importantes e que, com frequência, se encontram de “mãos dadas” com este tema, como são exemplo o divórcio, a instrumentalização das crianças nos conflitos conjugais ou a coparentalidade positiva.
No que remete para o género inerente aos termos utilizados, fomos oscilando entre o feminino e o masculino. Apesar de algumas diferenças de género discutidas ao longo do livro, este luto é de todos!
Ainda que esta obra tenha sido construída numa sequência lógica, se não se sentir confortável na leitura de algum dos capítulos, faça uma pausa. Avance um capítulo e retome a leitura do anterior quando estiver mais disponível do ponto de vista emocional. Detém total liberdade para o fazer. É o seu processo de luto e a sua dor – ambos são únicos e reais.»
in Introdução

Outros títulos em que os autores são coordenadores
Luto: Manual de Intervenção Psicológica
, A Psicologia da Pandemia, Animais e Pessoas, A Mensagem das Lágrimas: Guia para Lidar com o Luto (
revisão técnica).


O terceiro volume de 'A Arte de Viver no Século XXI', uma colecção descomplicada e ao alcance de todos, composta por quatro livros com fortes raízes na Ciência Psicológica do nosso tempo, coordenada por Margarida Gaspar de Matos, já está disponível. A Arte de Construir o Futuro aborda, entre outros, temas como o burnout, Mindflex e ambientes de trabalho saudáveis.

Texto de apresentação
A Arte de Construir o Futuro é um guia para todos nós enquanto profissionais, que nos ajuda a aumentar a nossa atenção sobre como nos cuidamos enquanto pessoas, tema que tem uma enorme influência sobre o tipo de profissionais que poderemos ser.
Este é um livro sobre nós, para nos ajudar a refletir sobre as pessoas que somos e sobre os nossos desafios profissionais, dando pistas para otimizarmos a nossa vida e aumentarmos as possibilidades de virmos a ser profissionais mais envolvidos, mais flexíveis, mais felizes e, como tal, aumentarmos o nosso impacto na nossa esfera pessoal e profissional.
Pensado especialmente para os aliciantes desafios de construir um futuro: o seu ou o de outros.

O primeiro título da colecção foi publicado há um ano: A Arte de Saber Escolher. O último volume terá como título A Arte de Ser Jovem Hoje.

sexta-feira, 28 de março de 2025

Das novas publicações de autores lusófonos consta o romance «O Mel sem Abelhas»

Judite Canha Fernandes (nascida no Funchal em 1971) deixou a actividade profissional em 2015 para dedicar-se à escrita, desejo que vinha a adiar desde a infância. Publicou poesia, ficção (romance e conto) e teatro. O Mel sem Abelhas, acabado de publicar pela Gradiva, foi o romance vencedor do Prémio Literário Edmundo Bettencourt 2024 - Prémio instituído pela Câmara Municipal do Funchal, que já galardoou nomes de relevo como Ana Teresa Pereira e José Viale Moutinho.

Texto sinóptico
O Mel sem Abelhas, o mais recente romance de Judite Canha Fernandes, vencedora do Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís 2018 com Um Passo para Sul, é uma ficção histórica centrada na cultura da cana do açúcar na ilha da Madeira. O seu título nasceu da expressão «Juncos que produzem mel sem abelhas», utilizada para designar a cana-de-açúcar, quando a encontraram pela primeira vez Índia, cerca do século V A.C.
A novela descreve a história de Marta, que chega à cidade do Funchal vinda de Angola no decorrer do século XVI, para trabalhar como escrava na cultura da cana. Com o olhar do medo, acompanhado pelo fascínio do novo que se lhe apresenta na ilha, vê-se na necessidade de encontrar na cidade do Funchal alguma forma de abrigo e, simultaneamente, inventar um modo de voltar a casa.
Fruto de uma exaustiva investigação histórica e da afirmação de um talento literário singular já anunciado no seu primeiro romance, Judite Canha Fernandes traça a história da escravatura portuguesa e da sociedade colonial madeirense do século XVI açucareiro através voz de uma mulher escravizada, num romance profundamente original que é também um fresco de uma época e de uma condição social.

Silêncio no Coração dos Pássaros é uma história crua e honesta sobre o fim de uma relacção. Após O Lugar das Árvores Tristes, Lénia Rufino (n. 1979) está de regresso com um romance intenso e emocionalmente poderoso, centrado na autodescoberta e no confronto com a dor do fim de um ciclo.

Texto sinóptico
Quando decide pôr fim a um casamento de vinte e sete anos, Laura, uma prestigiada violinista, revisita os principais momentos da sua vida: em criança, o amor pelo violino, o único capaz de preencher os silêncios de uma infância solitária; na transição para a idade adulta, a busca por respostas - ou talvez a compreensão de como se formulam melhor as perguntas; e a certeza de que é na música, sempre na música, que verdadeiramente se encontra.
No prolongamento da catarse, a chegada à maioridade, Álvaro e uma história de amor sem grandes sobressaltos, mas também sem grande entusiasmo; uma parceria apática em casa e na orquestra; e o início do fim: a digressão que faz sozinha pela Europa, a relação com Thomas, um clarinetista austríaco mais novo do que ela, e a tomada de consciência de que é sempre possível fazer voltar a vibrar uma corda que há muito se calou.

Nuno Duarte (n. 1973) é o vencedor do Prémio LeYa 2024 com o romance Pés de Barro, disponível nas livrarias a 15 de Abril. Esta obra do publicitário e escritor, segundo o juri, «polariza o seu realismo histórico no quotidiano de um pátio em Alcântara e nas razões de viver dos que nele se acolhem.»

Texto sinóptico
Estamos em 1962, num país orgulhosamente só, e vem aí a construção da primeira ponte suspensa sobre o Tejo, para a qual vão ser precisos cerca de três mil homens. A obra irá mudar para sempre a paisagem da capital, muito especialmente para quem vive em Alcântara, como é agora o caso de Victor Tirapicos, instalado na casa dos tios depois de ter envergonhado o pai com dois anos de cadeia só por ter roubado pão e batatas para fintar a miséria.
É, de resto, pelos olhos deste serralheiro de vinte e dois anos que veremos a ponte erguer-se um pouco mais todos os dias e, ali mesmo ao lado, partirem os navios cheios de rapazes para a guerra do Ultramar, donde muitos acabarão por voltar estropiados, endoidecidos ou mortos.
Porém, apesar de a modernidade parecer estar a matar a vida e os costumes do pátio operário onde convivem (amigavelmente ou nem tanto) uma série de figuras inesquecíveis – entre elas o mestre sapateiro que faz as chuteiras para o Atlético Clube de Portugal e um velho culto que aprende a desler –, Victor Tirapicos encontra o amor de uma rapariga que é muda mas consegue escutar o planeta, pressentindo a derrocada da estação do Cais do Sodré e outra catástrofe ainda maior, que se calhar tem pés de barro e só acontece neste romance, mas bem podia ter acontecido.

A Casa das Letras edita Diogo Alves, Serial Killer, um romance sobre o primeiro serial killer português, o famoso assassino do Aqueduto das Águas Livres. Cruzando realidade e ficção, este livro vem recordar uma das personagens mais sinistras da História de Portugal. E entra na mente do criminoso que chocou a sociedade portuguesa do séc. XIX. Luís Pedro Cabral (n. 1969) é jornalista freelancer, com contos publicados na revista 'Egoísta' e autor do romance A Cidade dos Aflitos

Texto sinóptico
Diogo Alves parecia não poder queixar-se do seu destino, e a certa altura chegou mesmo a convencer-se de que o mundo estava ao seu alcance. Chegara inseguro e inexperiente, vindo da Galiza, à capital do império português; mas agora, passados alguns anos, deixara de ser o aprendiz de cavalariça e era um respeitável condutor de carruagens, com trabalho assegurado nalgumas das melhores famílias. Discreto, trabalhador e obediente, assim subira na escada social e tornara-se membro honorário da sociedade lisboeta do início do século XIX.
Na verdade, ninguém podia saber que Diogo não era o que parecia ser, e que no seu íntimo habitava uma personalidade perturbada. Só Gertrudes Maria, mais conhecida por Parreirinha, detectou no fundo daqueles olhos azuis um enorme desejo de transgressão violenta. Seria mesmo na taberna dela, lá para os lados de Palhavã, que Diogo selaria o seu destino, ao cruzar‑se com um velho bêbado que, sem o saber, lhe abriria em definitivo as portas do crime e da perdição.

Outro livro que pode interessar: O Assassino do Aqueduto (2014).

quarta-feira, 26 de março de 2025

Reedições de obras camilianas homenageiam o grande escritor da literatura portuguesa

No mês em que se assinala o bicentenário do nascimento de Camilo Castelo Branco (1825-1890), uma das figuras mais proeminentes da literatura portuguesa do século XIX, destacar a reedição, pela editora Opera Omnia, dos romances No Bom Jesus do Monte e Mistérios de Fafe (com introdução assinada por José Cândido Oliveira Martins).
A editora minhota irá reeditar em breve as obras Amor de Perdição e Maria Moisés. Estes quatro títulos integram a colecção camiliana, composta por cerca de 12 títulos que estão previstos publicar ao longo de 2025.


Editado em 1864, o livro No Bom Jesus do Monte é geograficamente centrado no conhecido santuário da cidade de Braga. Ao mesmo tempo que narra histórias de amor diversas, explora inicialmente uma forte dimensão biográfica de Camilo Castelo Branco.

Outro elemento central desta narrativa é uma conceção romântica da paisagem. Neste caso, a natureza minhota na sua diversidade e beleza é tomada como espaço central da ação e, sobretudo, como cenário de confidências do ser humano triste e atormentado. Mais do que explorar a cor local, o romancista perspetiva a natureza como espaço de devaneio e de confidência, como lenitivo para a perturbada solidão e dramas existenciais.


Mistérios de Fafe foi publicado em 1868, primeiro em folhetins no Jornal do Comércio e logo depois em 1.ª edição em livro, tendo conhecido 2.ª edição em 1877 e 3.ª edição em 1881, indiciando o bom acolhimento do público e da crítica.
Privilegiando uma história urdida com cativante naturalidade balzaquiana e realista, Mistérios de Fafe, não escondendo alguma ligação ao género do romance-folhetim, entra diretamente no relato de uma história contemporânea (com balizas temporais ancoradas entre 1838 e precisamente 1868). Camilo lança mão de um estilo vivo e cativante, de vocação muito mais narrativa do que descritiva, como convém a uma história com assinalável verosimilhança. A história acompanha as consideráveis transformações sociais desta época, que vão desde a celebração dos heróis liberais do Mindelo, passando pelos excessos sentimentais do ultrarromantismo, até à prática dos novos casamentos com “brasileiros” nobilitados, no Portugal da Regeneração.

Recentes obras poéticas editadas pela Opera Omnia

Pára-me de repente o pensamento, Por dentro de mim dou a volta ao mundo e Antologia Breve são os títulos mais recentes de Poesia da Editora Opera Omnia.

Ângelo de Lima nasceu em 1872 no Porto (onde frequentou a Academia de Belas Artes), e morreu em 1921. Após o regresso de África, onde participou numa expedição militar, começou a revelar sintomas de loucura, o que levaria ao seu internamento no Hospital Conde de Ferreira entre 1894 e 1898. Viveu no Algarve e em 1901 mudou-se para Lisboa. Em Dezembro desse ano, foi preso no Teatro D. Amélia, “por proferir obscenidades”, e foi internado no Hospital de Rilhafoles, onde permaneceu até à data da sua morte, em 1921. Em 1915 foram publicados alguns dos seus poemas no n.º 2 da revista Orpheu. Fernando Pessoa referir-se-ia a Ângelo de Lima como um poeta que “não sendo nosso, todavia se tornou nosso”. A Poesia de Ângelo de Lima foi recuperada por poetas como Fernando Guimarães e Herberto Helder. Esta antologia reúne o principal da produção poética de Ângelo de Lima.


Este livro reúne um conjunto de algumas dezenas de poemas de uma das vozes mais originais da Poesia portuguesa: A. M. Couto Viana. Seleccionado a partir de uma das mais prolíficas obras da Literatura Portuguesa, este conjunto introduz-nos no universo de um Poeta que logrou receber a atenção e a admiração até dos Poetas mais jovens.
Como já alguém afirmou, “António Manuel Couto Viana aparece-nos como um precursor e como agente de reunião de entusiasmos, sendo um mestre de estilo e de amor pela Poesia. Deste modo, a sua poesia teve particular importância na formação de todo um conjunto de poetas, para os quais sem estética não pode haver vida, pois ambas se implicam mutuamente”.

Selecção e Prefácio de Artur Anselmo.


António Feijó foi um poeta e diplomata, conciliando duas vocações, presentes em outras personalidades da Literatura Portuguesa moderna e contemporânea — a da escrita da poesia com os trabalhos da diplomacia. António Feijó conheceu uma vida cosmopolita, que não o impediu de cultivar relações privilegiadas com o meio literário português. Um dos traços fundamentais da poética de Feijó reside na pluralidade de registos adoptados, para além da exímia versatili­dade e mestria formal da sua escrita — da poesia lírica e amorosa, até à poesia satírica, passando pelo recurso ao humor, ao burlesco e mesmo à paródia. No domínio de uma temática plural, sobressai a expressão saudosa e nostálgica da terra natal e da sua luminosa pátria distante. Deste modo, se tivéssemos que escolher algumas dominantes desta poesia, diríamos que ela oscila pendularmente entre dois grandes pólos — um lirismo mais ou menos intimista e amoroso, nostálgico e dorido, por um lado; e, por outro, uma poesia alegre e humorada, repleta de graça e de sátira, de carica­tura e de burlesco.

Selecção e Prefácio de Cândido de Oliveira Martins.