quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Nova edição do livro mais importante de Thomas Mann


Um monumento de arte, cuja inventividade revolucionou as normas da criação literária, A Montanha Mágica é a obra maior de Thomas Mann e um marco inquestionável da literatura do século XX.

A Livros do Brasil reedita esta obra-prima em Janeiro.

Sinopse
Poder-se-á narrar o tempo, o tempo em si mesmo, como tal e em si?

De visita a um primo seu aí residente, Hans Castorp instala-se no Sanatório Berghof, nos Alpes suíços. Mas quando se cruza com o médico-diretor e este o declara «totalmente anémico», acaba internado e rapidamente é atraído pela vida nas montanhas. Naquele espaço, tudo é sentido e discutido: o tempo e a eternidade, a morte e o amor, a liberdade e a sujeição. À medida que as três semanas que planeara para a sua estadia se transformam numa longa odisseia sem fim à vista, Hans vê-se profundamente cativado por aquelas pessoas e pelas ideias que lhes ocupam os dias, desconhecendo que em breve as verá fragmentadas num mundo tomado pela Grande Guerra. 

Thomas Mann (1875-1955), na cidade alemã de Lübeck. A sua carreira literária iniciou-se em 1901, com a publicação de Os Buddenbrook. Seguiram-se-lhe obras como A Morte em Veneza, José e os Seus IrmãosDoutor Fausto e A Montanha Mágica. Foi-lhe atribuído o Prémio Nobel de Literatura em 1929.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Tinta-da-China lança nova edição de «Furriel Não É Nome de Pai», de Catarina Gomes

Além de Suite Tóquio, de Giovana Madalosso, a Tinta-da-China reedita a 22 de Janeiro Furriel Não É Nome de Pai. Uma edição revista e aumentada da investigação de Catarina Gomes (n. 1975) sobre os filhos de militares portugueses que ficaram para trás depois da Guerra Colonial.
Com esta obra, publicada em 2018, a ex-jornalista do Público quebrou um tabu, contando pela primeira vez a história dos filhos que os militares portugueses tiveram com mulheres guineenses, angolanas e moçambicanas durante a Guerra Colonial portuguesa e que deixaram para trás. A obra deu origem a uma série documental, Filhos de Tuga (RTP1).

«Por favor, leiam o livro: as histórias são contadas com o pudor que nos ajuda a aguentar a dureza da matéria. Depois, há isto: a Catarina escreve tão bem… Esta história é cheia de História, e dos seus ventos que varrem e ferem, e a jornalista dá o contexto. Entre a dor, há páginas luminosas como as que contam António e Esperança, nas anharas do leste de Angola.» — Ferreira Fernandes, Diário de Notícias

Outros livros de Catarina Gomes
Pai, Tiveste Medo?, Coisas de Loucos
Terrinhas e Um Dedo Borrado de Tinta.

domingo, 28 de dezembro de 2025

«Contagem decrescente para ficar rico», de Rhonda Byrne

Editor: HarperCollins
Data de publicação: 26-11-2025
N.º de páginas: 208

A australiana Rhonda Byrne (n. 1951) é a criadora do documentário O Segredo, que foi visto por milhões de pessoas em todo o mundo. Seguiu-se, no final de 2006, o livro O Segredo, que se tornou um best-seller a nível global. Vinte anos depois de a lei da atração ser difundida, a australiana Rhonda Byrne afirma que ainda se pode alcançar a liberdade financeira apenas com a mente. 
A frase de abertura do seu novo livro, «Todos os problemas relacionados com o dinheiro têm a mesma causa!», faz o leitor ficar desde logo curioso. Byrne afirma que são causados pelo nosso pensamento, pois se tivermos uma mentalidade de riqueza, visualizarmos que o dinheiro abunda, alcançaremos independência económica: «Primeiramente a sua mente tem de tornar-se rica ao gerar pensamentos de riqueza, abundância.» 
O programa proposto em Contagem decrescente para ficar rico inclui diversos exercícios que visam se tornar hábitos, como visualizações, afirmações positivas e mantras. A jornada de 21 dias, onde cada um oferece algo simples, mas significativo, mostra como a verdadeira transformação começa com a mudança de mind-set, com a forma como pensamos internamente. O livro (Countdown to Riches: 21 Days of Wealth-Attracting Habits) desafia a ideia de que prosperidade se resume apenas a ganhar dinheiro, defendendo que a verdadeira abundância nasce da transformação interior. 
Um livro inspirador, fácil de ler e assimilar, ideal para quem está decidido a romper com velhos hábitos financeiros. Altamente recomendado para fãs de autores como Louise L. Hay, Robert T. Kiyosaki, Wallace D. Wattles, Brian Tracy, Napoleon Hill e Dale Canergie. 
No final, a autora de livros como Herói e O Maior Segredo apresenta diversas páginas recheadas com afirmações de riqueza - que também são disponibilizadas em áudio, com a voz da autora, através de um QR Code. Contagem decrescente para ficar rico é um livro para estar sempre na cabeceira, ideal para consulta diária, com capa dura, papel de alta qualidade e ilustrações deslumbrantes. 

Excertos 
«A lei universal que rege a sua mente não sabe nem quer saber se algo é real ou se é imaginação sua... ela reproduz os seus pensamentos no mundo físico de qualquer maneira.» 

«Um modo especialmente poderoso de usar gratidão para atrair mais dinheiro para a sua vida é estar grato pelo dinheiro que deseja como se já o tivesse recebido.»

sábado, 27 de dezembro de 2025

Editora Taiga publica livro que dá voz aos protagonistas de uma psicoterapia


A editora Taiga acaba de publicar um novo título: Crónicas de uma Psicoterapia - As vozes da paciente e do terapeuta, uma obra escrita a quatro mãos. Após Integração em Psicoterapia - (Meta)Modelo de Complementaridade Paradigmática (2024), este é o livro mais recente do Prof. Doutor António Branco Vasco, psicólogo e psicoterapeuta de referência em Portugal. 

Texto sinóptico 
A presente publicação é, mais do que um livro sobre psicoterapia, o testemunho de dois intervenientes de um processo terapêutico. É composto por duas vozes, que procuram expressar a sua vivência de uma relação terapêutica intensa, exigente e frutuosa. Contém diversos textos escritos por Mariana S. — pseudónimo de uma paciente de António Branco Vasco — em diferentes momentos: memórias de infância, cartas ao terapeuta, relatos de experiências importantes da terapia e reflexões após a sua conclusão. Também o autor escreve sobre a experiência de ter acolhido Mariana, e da partilha de «espaço existencial» que tiveram ao longo de anos. Ambos os intervenientes são entrevistados, num convite a revisitar a sua vivência do processo e da relação terapêutica. É, portanto, uma raríssima ocasião para o leitor ficar a conhecer não só este espaço terapêutico em particular, mas o impacto que uma psicoterapia pode ter nos seus intervenientes — paciente e terapeuta.

Excertos
«A essência da mudança consiste em aprender a habitar de forma diferente o sítio existencial em que nos encontramos.» — António Branco Vasco

«Apagámos os contornos desnecessários e trabalhámos «sobre ferro e fogo». E eu andei para a frente e para trás novamente, no movimento continuado e seguro que o António me proporcionou.» — Mariana S. 

Os autores
António Branco Vasco é licenciado em Psicologia Clínica pela FPCEUL (1980). Mestre em Psicologia pela Catholic University of America, Washington, D.C. (1985). Doutorado em Aconselhamento em Psicoterapia pela FPCEUL sob orientação do professor Windy Dryden, da Universidade de Londres (1993). Psicoterapeuta de orientação integrativa, com formação psicanalítica/dinâmica/relacional; rogeriana; cognitivo-comportamental e experiencial, focada nas emoções. 
Professor Catedrático aposentado da FPCEUL (coordenou a Secção de Psicologia Clínica e da Saúde e o Núcleo de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental e Integrativa). Membro do Conselho Técnico, formador e supervisor da APTCCI e do Conselho Científico-Pedagógico da Especialização Avançada em Psicoterapia (ISPA). Membro de diversas sociedades e associações, particularmente da Society for the Exploration of Psychotherapy Integration (SEPI), tendo integrado o Advisory Board e o Comité de Investigação. 
Integrou e integra o Conselho Editorial de diversas revistas, participa regularmente em conferências e publica artigos (teóricos, clínicos e de investigação) nos contextos nacional e internacional. 

Mariana S. é uma de muitas (cada vez mais) pessoas que mostram a coragem para procurar na psicoterapia um apoio, um recurso para lidar construtivamente com o sofrimento psicológico. Além desta coragem, Mariana S. tem também a generosidade de partilhar as suas memórias, a sua experiência do processo terapêutico e as mudanças que este proporcionou. 
Através da sua capacidade de expressão escrita, permite ao leitor o acesso à face mais escondida e menos representada na literatura sobre psicoterapia: a percepção do paciente do antes, do durante e do depois do processo terapêutico.

Sobre a Taiga
A Taiga é uma editora independente, especializada nas áreas da saúde mental e da psicoterapia. 
Pretende tornar o trabalho desenvolvido nesta área mais visível para estudantes, profissionais e público em geral, tanto através da tradução de obras e autores de referência não publicados em Portugal, como da publicação de autores portugueses de relevância. É dada especial atenção à (re)edição de obras com importância para a história da psicoterapia portuguesa.
A Taiga propõe-se enriquecer o panorama editorial na sua área de especialidade, muitas vezes condicionado por questões financeiras, que tornam a oferta pouco diversificada, os preços elevados e os livros objectos pouco atractivos.
Pretendemos produzir livros de qualidade técnica e gráfica, a preços acessíveis, cuidadosamente editados por profissionais da área, desafiando os meios convencionais de distribuição através de um contacto personalizado com leitores e instituições de referência, cruciais para o sucesso do projecto. 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Novas edições dos livros mais importantes de Dale Canergie

Dale Carnegie (1888-1955) foi um dos pioneiros mundiais no desenvolvimento pessoal e na arte da comunicação eficaz. Transformou milhões de vidas em todo o mundo – e continua a fazê-lo. O seu legado vive através dos seus livros. A sua obra inclui marcos incontornáveis como os três seguintes (traduzidos para o nosso idioma por Pedro Santos Gomes e Paulo Moreira), que a chancela Ideias de Ler publicará durante o mês de Janeiro. 

Desde a sua primeira publicação, Como fazer amigos e influenciar pessoas tornou-se uma referência incontornável na arte de comunicar, liderar e criar conexões genuínas. Com exemplos práticos e conselhos atemporais, Dale Carnegie ensina-nos a conquistar a confiança dos outros, a tornarmo-nos mais persuasivos e a cultivar relações duradouras – tudo isto sem manipulação, mas com empatia, respeito e autenticidade. 

Como deixar de se preocupar e começar a viver não é um tratado filosófico nem uma promessa vazia. Com a clareza e a empatia que o tornaram num dos autores mais influentes do século XX, Dale Carnegie apresenta um manual repleto de estratégias concretas, fruto de anos de estudo e experiência. Este livro ensiná-lo-á a reduzir o stresse, a enfrentar críticas sem se deixar abalar e a otimizar o tempo sem sacrificar o descanso, oferecendo soluções imediatas e eficazes. Este é um livro sobre como recuperar o controlo da sua vida.

Publicado originalmente em 1915, A arte de falar em público é um clássico intemporal que tem ajudado gerações a vencer o receio de discursar e a desenvolver competências eficazes de comunicação. Através de exemplos reais e conselhos acessíveis, este guia é uma leitura essencial para quem ambiciona influenciar, inspirar e comunicar com impacto duradouro em qualquer contexto.

sábado, 20 de dezembro de 2025

«A Hora do Coração», de Irvin D. Yalom e Benjamim B. Yalom

Editor: Desassossego
Data de publicação: 13-11-2025
N.º de páginas: 240

Poucos meses após a morte da mulher, Irvin D. Yalom, um dos mais conceituados psiquiatras do mundo, então com quase noventa anos, decide continuar a sua prática clínica de sessenta anos, mas com a condição de as sessões de terapia serem online e de consulta única. Com a debilidade física agravada, problemas de memória e ainda a sofrer com a perda de Marilyn (com quem escreveu Uma Questão de Morte e de Vida), o psicoterapeuta existencialista reconhece que «tinha de pôr as necessidades dos pacientes em primeiro lugar, pelo que fazer terapia de longo prazo estava fora de questão». 
Ao longo de vários capítulos, Yalom apresenta um conjunto diverso de pacientes, unidos por sofrimentos existenciais profundos, como é o caso de Paul, um jovem homossexual do Arkansas, que enfrenta uma depressão marcada pela rejeição familiar, após os pais terem cortado relações com ele; Hana, uma psicoterapeuta australiana que procura ajuda para lidar com um casamento em crise, confrontando-se com a dificuldade de aplicar a si própria aquilo que pratica profissionalmente; Beatriz, pintora portuguesa e leitora assídua de obras de Psicologia, que se debate com um relacionamento conjugal distante e tenso, revelando o contraste entre conhecimento teórico e vivência afectiva; Margaret, professora autista e residente em Melbourne, que vive uma solidão avassaladora, agravada por ataques de pânico que expõem a sua fragilidade emocional; e Albert, um físico sul-africano septuagenário, que procura Yalom devido a um medo extremo da morte, o que o obriga a confrontar-se com a finitude e o sentido da vida. 
Muitas das histórias contidas em A Hora do Coração exploram a eficácia de centrar a terapia na relação entre terapeuta e paciente. No livro, Yalom recorre de forma consciente ao conceito de autorrevelação como uma estratégia terapêutica deliberada, na qual partilha aspectos pessoais da sua vida com o objectivo de fortalecer a aliança terapêutica e promover a vulnerabilidade dos pacientes, mostrando que é seguro ser imperfeito. Embora tradicionalmente vista com desconfiança na psicoterapia, devido ao risco de contratransferência, o autor defende que a autorrevelação pode ser fundamental para construir a conexão terapêutica — que, segundo afirma, representa cerca de 80% do sucesso da terapia — e sustenta que esta prática tem sido maioritariamente bem-sucedida ao longo de décadas de trabalho clínico. 
Importa ainda salientar que as vinte e duas histórias clínicas apresentadas no livro foram seleccionadas pelo filho, Benjamim B. Yalom, psicoterapeuta, dramaturgo e escritor, que, numa entrevista recente, revelou que o manuscrito inicial chegou a incluir cerca de cinquenta histórias. Segundo Benjamim, o pai «precisava de alguém que o conhecesse suficientemente bem, que conhecesse o seu estilo de escrita e que tivesse confiança para realmente rever e reescrever», tarefa que acabou por assumir. 
Em suma, trata-se de um livro de leitura fácil e leve, mas repleto de insights significativos. A obra explora as complexidades das relações humanas e da transformação pessoal e, como acontece na maioria dos livros de Irvin Yalom, o leitor chega ao fim com a convicção renovada de que... é a relação que cura
Irvin D. Yalom voltou a casar em Janeiro de 2024 com Sakino Mathilde Sternberg Yalom. Hour of the Heart foi publicado em Dezembro de 2024 nos Estados Unidos. Actualmente, o autor de romances inspirados em Nietzsche, Schopenhauer e Espinosa tem 94 anos e já não exerce actividade clínica. 

Excertos 
«A morte, a única experiência por que todos passaremos, deve ter um lugar proeminente na forma como compreendemos a vida. Acredito que o medo da morte está na raiz de muitos dos problemas que levam as pessoas a fazer terapia.»

«Quanto menos lamentarmos como vivemos, menos medo teremos da morte.» 

«(...) a ânsia por ligações humanas é a principal força que impulsiona quem procura ajuda.» 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

«O Grande Livro de Curiosidades», de E. Foley e B. Coates

Editor: Ideias de Ler
Data de publicação: 30-10-2025
N.º de páginas: 420

O Grande Livro de Curiosidades apresenta-se como um almanaque de pequenas descobertas pensado para leitores apressados, mas curiosos. Organizado em 365 entradas independentes, propõe leituras breves — cada curiosidade pode ser lida em cerca de dois minutos — que cruzam ciência, história, linguagem e cultura, apostando no inesperado e no prazer imediato de aprender algo novo. 
A escrita é leve e acessível, favorecendo tanto a consulta diária como a leitura contínua de uma só vez. A variedade temática é um dos seus pontos fortes, embora irregular: algumas curiosidades surpreendem e permanecem na memória, enquanto outras se revelam mais anedóticas. 
Entre as curiosidades: explica-se como se formam os flocos de neve e que existem cerca de 90 formas distintas; reflete-se sobre o impacto real de um agradecimento sincero na saúde mental e física de quem o pratica; revela-se o ano em que foi inventado o secador de cabelo; revisita-se uma curiosidade pouco conhecida sobre Agatha Christie, para lá do facto de ser a autora mais traduzida de sempre; localiza-se o mar mais pequeno do mundo; esclarece-se a diferença entre um entomologista forense e um palinólogo forense; e explica-se a origem da expressão “fora da caixa”.
Sem grandes ambições de profundidade, esta obra — traduzida por Alexandra Guimarães a partir de A Year of Living Curiously — cumpre o objectivo de estimular a curiosidade de forma descontraída. Assinado por E. Foley e B. Coates, autoras e editoras londrinas, o livro adapta-se a leitores de todas as idades. 
Publicado pela Ideias de Ler, um selo do Grupo Porto Editora, O Grande Livro de Curiosidades encaixa numa lógica de divulgação acessível, ainda que possa saber a pouco a leitores mais exigentes.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Romance «Suíte Tóquio» ganha reedição após reconhecimento internacional


Suíte Tóquio, o livro que em 2021 marcou a estreia em Portugal de uma das autoras mais marcantes da literatura brasileira contemporânea, ganha uma nova edição, em formato de bolso, em meados de Janeiro, pela Tinta da China. Este romance de Giovana Madalosso foi finalista do 63.º Prémio Jabuti e traduzido para inglês (The Tokyo Suite foi o título lançado nos EUA) e espanhol. 
Recentemente, foi reconhecido pelo The New York Times como um dos 100 livros mais notáveis de 2025 — um feito e tanto para uma obra originalmente publicada no
Brasil em 2020, pela editora Todavia. O jornal americano descreveu a obra como um “romance tenso” que explora as divisões de classe e relações humanas por meio da jornada de suas protagonistas, evidenciando a complexidade social brasileira.
Giovana Madalosso nasceu em Curitiba em 1975. É colunista do jornal Folha de S. Paulo desde Janeiro de 2023. É autora também dos livros A Teta Racional, Tudo Pode Ser Roubado (2022) e Batida Só (2025).

 
Texto sinóptico
De um lado, temos Maju, uma babá, indistinta no seu dia‑a‑dia do «exército branco» de outras babás que cuidam dos filhos dos patrões de classe alta. Do outro, temos Fernanda, a mãe, a empresária de sucesso. E no meio, além de Cora, a menina que Maju decide raptar e que Fernanda demora a perceber que desapareceu, temos luta de classes, crises pessoais, ternura, medo, busca de redenção e duas vozes femininas que se confrontam e se completam num romance trágico‑cómico sempre em movimento.


Excerto
«Estou raptando uma criança. Tento afastar esse pensamento, mas ele persiste enquanto descemos pelo elevador, cumprimentamos o Chico, saímos pelo portão. São coisas que fazemos todos os dias, descer, cumprimentar o Chico, sair pelo portão, andar pisando só nas pedras pretas ou nas brancas da calçada, mas hoje é diferente mesmo que eu não esteja fazendo nada diferente, porque tenho a sensação de que o exército branco olha pra mim. Foi coisa da dona Fernanda, inventar esse nome, exército branco. E até que ela está certa, somos mesmo um exército, ainda mais a essa hora da manhã, quando todas vêm pra praça com seus uniformes brancos carregando bebês ou crianças, e então batem papo empurrando carrinhos e balanços com bebês ou crianças. Um mundo que até ontem era o meu mundo mas que agora parece me olhar com desconfiança. Será tudo loucura da minha cabeça? Diga, minha Nossa Senhora, é tudo loucura?»


Outro livro a reeditar este mês pela Tinta-da-China: 
Furriel Não É Nome de Pai, de Catarina Gomes

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Editorial Caminho comemora 50 anos de vida e reedita «A Noite», a primeira peça de teatro de Saramago

A Editorial Caminho, uma das mais importantes e prestigiadas editoras portuguesas, comemora 50 anos de actividade.
Fundada em 1975, actualmente integrada no grupo LeYa, assumiu ao longo das últimas cinco décadas um papel de inquestionável importância no panorama literário lusófono, através da publicação de autores de língua portuguesa nas áreas de ficção, não ficção, poesia e livros para a infância. A inquestionável qualidade dos seus livros, a abrangência temática do seu catálogo e a incontornável distinção dos seus autores, através da atribuição de prémios, entre os quais se destacam o Prémio Nobel, (1998) a José Saramago e oito prémios Camões, atestam o lugar cimeiro que a Editorial Caminho ocupa na vida editorial portuguesa.

«A presente edição destina-se a assinalar os cinquenta anos de atividade da Editorial Caminho, fundada em dezembro de 1975. A escolha desta forma de assinalar este aniversário justifica-se por dois motivos: José Saramago, que continua a ser o único escritor de língua portuguesa a conquistar o Prémio Nobel da Literatura, foi publicado pela Caminho ao longo de mais de trinta anos, até depois da sua morte em 2010; por outro lado, foi precisamente com esta peça de teatro que em 1979 José Saramago entrou na Caminho, e entrou para ficar, deixando uma marca indelével na editora.»
Zeferino Coelho (editor)

«A Noite foi escrita por José Saramago a convite de Luzia Maria Martins, que dirigia o Teatro Estúdio de Lisboa. A encenadora e dramaturga (maltratada em vida, e hoje injustamente esquecida) desafiou o autor a escrever uma peça no quinto aniversário do 25 de Abril.»
José Martins (encenador e ator)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Livros sobre os Papas Bento XVI e Leão XIV entre as novidades da editora Lucerna


Do mesmo autor de O Papa Francisco - Quem é, o Que Pensa e o Que o Espera (2013), foi publicado no mês transacto O Papa Leão XIV - Quem é, o que pensa e o que espera de nós. Editor-chefe do departamento de língua alemã da Rádio Vaticano/Notícias do Vaticano, 
Stefan von Kempis conhece o meio eclesiástico romano como poucos. Ao longo dos anos acompanhou vários papas nas suas viagens e escreveu e editou inúmeras obras sobre papas.
Este livro contém diversas fotografias a cores.


Texto sinóptico
Robert Francis Prevost, nascido em 1955, é o primeiro norte-americano à frente dos 1400 milhões de católicos em todo o mundo. Eleito sucessor do Papa Francisco num conclave surpreendentemente curto, assumiu o nome de Leão XIV. Foi superior da Ordem de Santo Agostinho em Roma e bispo no Peru antes de o Papa Francisco o levar para a Cúria Vaticana em 2023, atribuindo-lhe a responsabilidade pela seleção dos bispos católicos em todo o mundo e nomeando-o arcebispo e cardeal.
Apesar da carreira eclesiástica meteórica, o seu nome não constava das listas de apostas durante o conclave, mas agora todos os olhos estão postos nele: quem é? O que pensa? Que história traz consigo, o que o marcou e o que é importante para ele? Que tarefas o esperam e como se posicionou até agora? O que significa a escolha do seu nome papal? E o que implica para o futuro rumo da Igreja? 



Andrea Tornielli
é diretor editorial dos media vaticanos junto do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé. É autor de vários livros, entre os quais Francisco: O Papa de Todos Nós (A Esfera dos Livros, 2013), Quando a Igreja Sorri (Paulus, 2018) e O Nome de Deus é Misericórdia (Planeta, 2023). 
Bento XVI - O Teólogo, o Papa, o Homem é a sua mais recente obra, traduzida para o nosso idioma por Luísa Silva Maneiras.

Texto sinóptico

A 11 de fevereiro de 2013, um Papa optou, inesperadamente, por resignar ao ministério petrino por motivos de idade e saúde. A renúncia apanhou quase todos de surpresa, dando origem a uma série de perguntas, suposições e suspeitas absurdas de orquestração. Todavia, para tentar compreender como o Papa Bento XVI chegou a essa decisão histórica, é preciso voltar a percorrer as etapas que conduziram o teólogo Joseph Ratzinger da Baviera até à cátedra de São Pedro.
É isso que se propõe fazer Andrea Tornielli neste livro: começando pela infância na Alemanha, retoma todo o percurso de Ratzinger até aos seus primeiros passos no Vaticano, ao lado de João Paulo II, à sua eleição para Papa e, finalmente, aos anos passados como Papa Emérito e à sua morte, a 31 de dezembro de 2022, estudando a fundo a vida e a personalidade de um homem que muitos consideram um ultra-conservador, um «inquisidor rígido e inflexível», que teve de enfrentar a contragosto escândalos como o do Vatileaks e o dos abusos de menores por membros do clero.
Não se ficando pela superfície dos acontecimentos, Tornielli faz porém surgir deste modo um outro Ratzinger - um homem desde sempre consagrado ao serviço da Igreja e dos mais desfavorecidos, sensível aos temas da defesa do ambiente, da paz e da solidariedade, atento às questões e às dúvidas dos não-crentes.
Estas páginas delineiam um retrato fiel de um homem simples e sábio que gostava de livros e música clássica, e dos sete anos do seu pontificado, que o autor, na qualidade de vaticanista, pôde seguir de perto: as encíclicas, as viagens, as decisões importantes, os encontros…
No dizer de L’Osservatore Romano, este livro de Tornielli contribui «para nos devolver a complexidade da figura de Ratzinger escapando aos clichés e fazendo "falar" o seu magistério e os seus gestos», e leva-nos a «compreender que o gesto da renúncia não surgiu por acaso, fora de qualquer contexto, antes representando o epílogo do ministério de um "humilde trabalhador na vinha do Senhor". Humilde trabalhador esse que não se colocou a si próprio e ao seu protagonismo no centro, mas sempre afirmou que no centro está Aquele que conduz a Igreja e sem o Qual nada podemos fazer». 

A Lucerna é uma chancela fundada em 2003 no âmbito da Princípia Editora (uma casa editora independente fundada em 1997). Na Lucerna, como editora católica,  procuramos corresponder à procura de um público numeroso que se interessa por livros sobre questões religiosas, desde os temas científicos (teologia, história, filosofia) aos assuntos pastorais, litúrgicos, devocionais e espirituais, criada. Estando aberta a todas as religiões, o catálogo da Lucerna concentra-se atualmente em obras de autores cristãos.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

«O Imoralista», de André Gide

Editor: Minotauro
Data de publicação: Março de 2022
N.º de páginas: 162

 

Publicado em 1902 e imediatamente lançado no âmago de uma verdadeira celeuma pública, O Imoralista apresenta-se como um romance de sedutora inquietação moral. Nele se acompanha a jornada interior de Michel, um jovem de vinte e quatro anos, recém-casado, que durante a lua-de-mel no Norte de África é acometido por uma doença severa, quase fatal. A convalescença, porém, transfigura-se numa espécie de renascimento: uma epifania vital que o impele a redescobrir o prazer da existência e a pulsação do desejo, sobretudo quando estabelece uma ligação ambígua e perturbadora com um adolescente árabe. É a partir desse contacto com a própria vulnerabilidade — e com a promessa vertiginosa da liberdade — que Michel começa a interrogar, com crescente audácia, os limites morais e sociais que o moldaram. 
Rico, culto e herdeiro de uma educação rígida, Michel casara com Marceline mais por deferência ao pai agonizante do que por verdadeira inclinação afectiva. Após a doença, movido por gratidão pelos cuidados sacrificiais da esposa, envolve-a num afecto quase devoto. O casal parte então numa longa viagem por França, Itália, Tunísia, Malta e Suíça, como se buscassem, na mobilidade, a vertigem de uma vida nova. Mas, já de regresso a casa, é Marceline quem adoece: «A doença entrara em Marceline, habitava nela doravante, marcava-a, manchava-a. Ela era uma coisa destruída.» A frase, dilacerante, resume a lenta corrosão do vínculo conjugal e a incapacidade de Michel de regressar à antiga vida moralmente ordeira. 
Na belíssima tradução portuguesa de Jorge Melícias, O Imoralista revela-se um feito literário de rara ousadia. Gide investe contra os dogmas da burguesia europeia e denuncia, com lucidez implacável, as forças insidiosas que restringem a liberdade do indivíduo. O romance — impregnado de elementos autobiográficos — foi recebido com surpreendente apreço crítico, apesar da matéria escandalosa da trama, centrada num homem que «não tinha força suficiente para manter uma vida dupla». A obra afirma-se, assim, como um dos pilares da produção do escritor, que, anos mais tarde, fundaria a mítica Éditions Gallimard e receberia o Prémio Nobel de Literatura em 1947. 
Depois de Os Meus Oscar Wilde (2020) e As Caves do Vaticano (2022), veio a lume pelas Edições 70 o ensaio Córidon (2022), um texto fulcral em que André Gide enfrenta, com coragem e clarividência, os preconceitos homofóbicos da sociedade do início do século XX. 

Excerto 
«Aquilo que sentimos em nós de diferente é precisamente aquilo que possuímos de raro, aquilo que confere valor a cada um»

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

«Olhar a Vida de Frente», de Sonia Ricotti

Editor: Verso Editora
Data de publicação 3.ª edição: Abril de 2025
N.º de páginas: 160

 

O segundo e indiscutivelmente mais célebre livro de Sonia Ricotti (n. 1965), uma conceituada e influente palestrante na área da recuperação emocional e da motivação pessoal, regressou recentemente às livrarias numa edição renovada.
Toda a realidade que habitamos nasce, antes de mais, na esfera do pensamento. Eis a pedra angular desta obra, forjada a partir dos desafios e tormentas que a autora enfrentou durante uma das fases mais sombrias da sua existência: «Tudo na minha vida parecia estar arruinado.» O término abrupto de um relacionamento que julgara idílico, dificuldades financeiras avassaladoras e problemas de saúde compunham o cenário adverso que a obrigou a repensar o rumo da própria vida.
Como recuperar o equilíbrio quando a vida nos desfere golpes que parecem irrecuperáveis? Neste livro, a especialista em lei da atração e meditação partilha não apenas as suas próprias lições de resiliência, mas também testemunhos comoventes — narrados na primeira pessoa por amigos que atravessaram provações profundas — e que funcionam como autênticos mapas de superação para o leitor que enfrenta momentos de desânimo ou perda. 
Enquanto oradora motivacional e CEO da Lead Out Loud Inc., empresa de desenvolvimento pessoal pioneira e transformadora, Ricotti apresenta estratégias claras e esclarecedoras para ultrapassar adversidades, atrair abundância e despertar os recursos internos de força que conduzem ao sucesso sustentável — sempre assente na premissa de que os nossos pensamentos moldam o nosso destino. 
Embora Olhar a Vida de Frente não seja, em estrito rigor, um livro sobre a lei da atração, integra alguns dos seus princípios essenciais, incorporando-os de forma natural e funcional. Trata-se de uma obra relativamente breve, mas surpreendentemente envolvente e de leitura fluida. 
Publicado originalmente em 2011, Unsinkable: How to Bounce Back Quickly When Life Knocks You Down apresenta conceitos que poderão ser familiares aos leitores mais experientes no universo do desenvolvimento pessoal. Ainda assim, revela-se um guia inspirador para quem atravessa períodos difíceis e procura encorajamento, clareza e orientação prática; é, portanto, uma leitura particularmente eficaz para quem tem pouca bagagem nesta área e procura um primeiro contacto transformador. 
Da autora estão disponíveis em Portugal, pela Bookout, os títulos Quando o Impensável Acontece (2013), A Lei da Atração (2018) e Alcance a Vida que Merece (2019). 

Excertos
«Confie, pois tudo acontece exatamente da forma que era suposto. Não resista. Renda-se às evidências, deixe o passado para trás e tenha fé no futuro.» 

«Há algo maior do que nós, uma presença que transcende o tempo e o espaço, que nos envolve e nos sustenta mesmo quando não conseguimos ver ou entender. Essa força universal dá sentido a tudo e guia-nos.» 

«A vida é uma viagem e (...) apesar de termos de enfrentar desafios ao longo do caminho (...), temos a capacidade de escolher como lidamos com eles.»

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Livro de John C. Maxwell explica porque falar não basta — é preciso conectar

Todos Comunicam, mas Poucos Se Conectam é a publicação mais recente da Smartbook, uma chancela da editora Nexo Literário. Este livro de John C. Maxwellautor e conferencista norte-americano, actualmente com 78 anos, chegou às livarias no início desta semana. A obra revela o segredo dos melhores comunicadores, sublinhando que falar é muito diferente de conectar.

Sinopse
Apenas uma coisa se impõe entre si e o seu sucesso. Não é experiência. Não é talento. 
John C. Maxwell afirma que, se quer ter sucesso, deve aprender a estabelecer ligações com as pessoas. E apesar de parecer que algumas pessoas já nasceram com esse dom, a realidade é que qualquer pessoa pode aprender a fazer de cada momento de comunicação uma oportunidade para estabelecer uma ligação eficaz.


Todos Comunicam, mas Poucos Se Conectam, John C. Maxwell partilha os Cinco Princípios e as Cinco Práticas adequadas para desenvolver esta aptidão essencial de estabelecer ligações, incluindo:
• Encontrar pontos em comum;
• Simplificar a sua comunicação;
• Captar o interesse das pessoas;
• Inspirar as pessoas;
• Imprimir autenticidade em todas as suas relações.

A capacidade de estabelecer ligações com os outros é um fator determinante para a realização plena do seu potencial. Não é segredo para ninguém! A capacidade de estabelecer ligações pode ser aprendida e aplicada nas suas relações pessoais, profissionais e familiares – pode começar desde já!

O autor
John C. Maxwell – coach, orador e autor de múltiplos bestsellers do New York Times, já vendeu 35 milhões de livros em 50 línguas. Foi considerado o maior líder em negócios pela American Management Association® (AMA) e o perito em liderança mais influente pela Inc. As suas diversas organizações formaram milhões de líderes em todas as nações. 

Livros do autor já publicados pela Smartbook
O Líder em Mudança, As 21 Irrefutáveis Leis da Liderança, A Atitude Faz a Diferença, As 15 leis do crescimento pessoal, Às vezes ganhas, às vezes aprendes e Os 5 Níveis da Liderança.

Recentes reedições
As 5 Linguagens de Amor das Crianças e As 5 Linguagens de Amor dos Adolescentes, do mesmo autor do grande sucesso de vendas mundial 
As 5 Linguagens do Amor

sábado, 29 de novembro de 2025

Um livro crucial para entender o cibercrime


Cláudia Pina é magistrada judicial há vinte e cinco anos, e especialista em cibercrime. José Vegar é jornalista, investigador e escritor. Escreveu, entre outros, os livros O Inimigo Sem Rosto — Fraude e Corrupção em Portugal (2003), Serviços Secretos Portugueses (2007) e O Controlo Contemporâneo e Futuro da Informação (2023). Ambos são autores de Cibercrime, uma obra fundamental para compreender uma das facetas mais populares e em crescimento do crime na actualidade.

Sinopse
Em pleno século XXI, o crime mudou e os criminosos adaptaram-se a uma nova realidade, tornando-se mais astutos, ousados e sentindo-se praticamente imbatíveis. O digital ganhou relevância e protagonismo, tornando muito difícil o rastreio e descoberta de quem se oculta na rede para cometer atos ilícitos.
Cibercrime explora em profundidade as dimensões contemporâneas do cibercrime e da ciberguerra, desde as práticas mais conhecidas pelo leitor comum — ciberbullying, fraude sentimental digital, ciberviolência, abuso sexual de menores em ambiente digital, dark web e metodologias de desinformação e manipulação de informação —, às mais conhecidas pelos magistrados, polícias e profissionais de cibersegurança — criptomoedas, tecnologia blockchain, ransomware, DDO e guerra cibernética.

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Livros que serão publicados em Dezembro pelas editoras Sibila e Balzac

Depois do editar Sodade (actualmente na 2.ª edição), romance de Ana da Cunha que venceu o Prémio Literário Maria Amália Vaz de Carvalho (Câmara Municipal de Loures), a Sibila Publicações publica em Dezembro Duas Amigas, de Rita Homem de Mello, e uma nova edição do livro com que Inês Pedrosa se estreou no romance em 1992 - A Instrução dos Amantes -, obra que encontra-se publicada no Brasil, Espanha e Itália. 
Também a chancela Balzac Publicações publica no próximo mês Agulha em Palheiro, um romance envolvente, datado de 1865, em que Camilo Castelo Branco retrata a sociedade portuguesa do século XIX.


Duas Amigas
é a história de uma amizade improvável e de uma paixão resistente. Nina e Paloma, muito diferentes uma da outra, são amigas de infância que a vida separa e torna a juntar. Crescem juntas, com dificuldades familiares e financeiras. Nina troca uma carreira promissora na fotografia por um casamento que a leva para a Alemanha, enquanto Paloma, emocionalmente presa a uma paixão de adolescência por um estudante que morou em sua casa, num período em que a mãe se viu obrigada a arrendar quartos para sobreviver, se torna crítica literária.

Após o divórcio de Nina e o seu regresso ao Porto com a filha, as duas amigas e a criança partilham casa. Nina decide voltar a perseguir o seu sonho de ser fotógrafa enquanto Paloma reencontra o seu antigo e agreste amor, que reaparece como chefe de redacção da revista para a qual trabalha.

Um romance envolvente que nos fala da persistência dos sonhos para lá das desilusões, da arte como ampliação das possibilidades da vida, e do poder transformador da amizade. A estreia de uma voz luminosa na literatura portuguesa. 


Posfácio de Deolinda M. Adão. Com carta de Al Berto e apresentação de António Mega Ferreira.
O romance de estreia de Inês Pedrosa conta-nos a história de um grupo de jovens amigos, a partir da morte misteriosa de Mariana. A narrativa retrata em profundidade a aventura humana das grandes amizades e dos primeiros amores, com o seu cortejo de ilusões e desilusões.
Neste livro de juventude e sobre a juventude, apresenta-se uma voz forte e original na contemporânea literatura portuguesa, simultaneamente densa, clara, intensa e cheia de humor.

«A morte é a única testemunha da paixão. Tem ciúmes dos corpos e queima-os devagar. Quando os corpos se entregam ao império dos seus lumes é a morte que os ilumina».

Alguns outros livros de Inês Pedrosa publicados pela Sibila: Desamparo, Fazes-me Falta, Nas Tuas Mãos, A Eternidade e o Desejo.



Um
surpreendente romance de Camilo Castelo Branco, que pinta um vívido retrato do conflito entre dois mundos na Europa pós-Revolução Francesa e das lutas liberais. A narrativa desenrola-se nos cenários cosmopolitas de Roma, Florença, Madrid, Londres, Paris e Lisboa, incorporando figuras históricas como o poeta Bocage e o príncipe Jerónimo Bonaparte, que se cruzam com a trama ficcional.
A história de Fernando Gomes, um homem de origem humilde — filho de um sapateiro — que, ao tornar-se ex-combatente liberal condecorado e bacharel em Direito, ascende socialmente e frequenta os requintados salões da nobreza europeia. A sua jornada retrata a mobilidade social emergente, mas também a feroz resistência que essa ascensão provoca.
No salão do príncipe de Monfort, Fernando confronta-se com um duro oponente: o expatriado Bartholo de Briteiros, pai de Paulina e Eugénia, um nobre e rico desembargador miguelista que, durante as Guerras Liberais, mandou para a forca vários dos companheiros de armas de Fernando. O romance transforma-se, assim, num duelo pessoal e ideológico, onde o ódio político e de classe se manifesta numa tensão permanente.

Uma narrativa poderosa em torno dos temas do amor, da honra, da redenção, da vingança, do preconceito de classe e das cicatrizes duradouras da guerra civil, ambientada no turbilhão social e político da primeira metade do século XIX.

Coração, Cabeça e Estômago é um dos muitos livros da bibliografia camiliana.

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Romances italianos premiados publicados pela Book Cover

A Book Cover Editora foi fundada em 2017 e actualmente conta com mais de 150 títulos publicados, mantendo sempre o seu objetivo de editar obras de referência e apostar em novos autores portugueses e estrangeiros.

Eis algumas publicações de Literatura Italiana que a Book Cover Editora tem vindo a trazer para os leitores portugueses. São obras galardoadas com os mais prestigiantes prémios literários.

Alma

Texto sinóptico

Três dias dura o regresso de Alma a Trieste. Fugiu da cidade para reconstruir uma vida longe dela, e agora está de volta para receber a imprevista herança do pai. Um homem sem raízes, que detestava o culto do passado e os seus legados, um pai fascinante mas fugidio, que ia e vinha da fronteira sem que fosse possível perceber qual era o seu trabalho na ilha, à sombra do marechal Tito “olhos de víbora”. Em Trieste Alma volta a um mapa de territórios esquecidos. Reencontra a linda casa na avenida dos plátanos, onde passou a sua infância com os avós maternos, distante anos-luz da desordem e do caos da sua, “onde as pessoas entravam e saíam, e parecia que a roupa nunca tinha sido tirada das malas”. Volta à casa no Carso, para onde mudaram repentinamente e na qual chegou Vili, filho de um casal de intelectuais de Belgrado amigos do pai. Vili que, de um dia para o outro, entrou na sua vida cancelando definitivamente a Áustria-Hungria. É pelas suas mãos, “um irmão, um amigo, um antagonista” que Alma tem de receber a herança do pai. No entanto, Vili é a última pessoa que gostaria de voltar a ver.


Elogios da imprensa
“Federica volta a escrever, com um talento mágico que lhe é próprio, sobre personagens carismáticas, silenciosas e inquietas.” La Stampa

"Se quiserem navegar pelas inquietações da fronteira oriental italiana “onde a geografia leva a melhor sobre a história”, então deixem-se levar pela leitura de Alma." La Repubblica

Federica Manzon estreou-se em 2008 com Come si dice addio (Mondadori), ao qual seguiram-se Di fama e di sventura, La nostalgia degli altri e Il bosco del confine. Com Alma ganhou o prémio Campiello 2024. Vive entre Milão e Trieste.


Vita

Texto sinóptico

”As palavras, Diamante mete-as na bagagem – na única mala, a única riqueza que leva da América. Talvez não valham nada, mas não importa. Deixa a Vita tudo o que encontrou, tudo aquilo que perdeu. Deixa-lhe o rapaz que foi e o homem que nunca virá a ser. Até o seu nome. Mas as palavras – aquelas, leva-as consigo.”

Em 1903 Vita e Diamante, com nove e doze anos, desembarcam sozinhos em Nova Iorque. Vindos da miséria do campo do Sul de Itália, são projetados para uma metrópole moderna, caótica e hostil. Vita é rebelde, possessiva e indomável, Diamante silencioso, orgulhoso e temerário. À sua espera estão opressões, violência e traições. Mas também ocasiões para se resgatarem, a descoberta da amizade e, principalmente, do amor, que se revelará mais forte do que a distância, a guerra, os anos. 
Este feliz romance, épico e fabuloso, comovedor e amargo, continua a encantar os leitores do mundo inteiro. Ao dar voz a um conjunto de personagens perdidas na memória, Melania Mazzucco entrança os fios de uma narração familiar e universal ao mesmo tempo. A história de todos os que sonharam – e ainda sonham – uma vida melhor.


Elogios da imprensa
“Uma história cheia de histórias, escrita com a graça vigorosa de um dom misericordioso e feroz”. La Stampa

“Um romance cheio de compaixão, rico em personagens inesquecíveis. Para ler até à última página”. Die Welt


A Arquitetriz

Texto sinóptico

Roma, século XVII, Plautilla Briccia é a filha do pintor e comediógrafo Giovanni Briccio que herda do pai a sua propensão artística, tornando-se numa pintora famosa no meio artístico romano e, mais tarde, na primeira arquiteta italiana. A sua longa vida é narrada neste romance, através de episódios que partem duma cuidada reconstrução histórica, mas revelam um olhar tão irónico quanto lúcido, sobre as contradições morais da grande cidade artística da Europa naquele século. Plautilla terá de negociar habilmente com a família, com a condição social da mulher, com os mecenas papais e com os artistas seus coetâneos, para se inscrever na história do urbanismo iluminado de Roma, ao lado de Bernini e Pietro da Cortona. Sagaz e incansável, Plautilla move-se numa Roma fervilhante que se desvela em todos os seus pormenores humanos e artísticos.

Elogios da imprensa
“Mazzucco atinge aqui o seu auge, seja pela inesgotável riqueza dos pormenores, seja pela coesão apaixonante de todo o livro.” La Repubblica

“A verdade da A Arquitetriz é a força da literatura. É a extraordinária escrita de Melania Mazzucco.” La Stampa

Melania Mazzucco (1966), escritora italiana, publicou o seu primeiro romance em 1996, Il bacio della Medusa. Em 2000, o romance-documentário sobre Annemarie Schwarzenbach, Lei così amata, recebe o Prémio Napoli e o Prémio Bari para a categoria de romance. Em 2003, o romance Vita vence o Prémio Strega e o reconhecimento internacional em Espanha, com o Prémio Santiago de Compostela em 2005, e no Canada, com o Globe and Mail Book of the Year. A Arquitetriz, romance de 2019, vencerá vários prémios, entre eles o Prémio Stresa e o Prémio Manzoni. O romance Un giorno perfetto foi adaptado ao cinema, em 2009. 

Psiquiatra Pedro Afonso explica no seu novo livro por que a imersão online está a adoecer a sociedade

(QUASE) sempre online 

Como a imersão online nos deixou mais sós, ansiosos, 
deprimidos e desligados do mundo real


«Numa altura em que se discute, em vários países, o aumento da idade mínima de acesso às redes sociais para os 16 anos, esta obra fornece diversos elementos científicos sobre o impacto da utilização destas plataformas na aprendizagem, na violência e na saúde mental de adolescentes e jovens, contribuindo de forma significativa para esse importante debate. 
[…] este livro é mais do que um alerta; é um guia lúcido para compreender as dinâmicas do mundo digital em que vivemos. O seu conteúdo não se limita a diagnosticar os problemas, mas também aponta caminhos para se desligar e viver melhor, explorando a responsabilização das plataformas digitais, dos políticos, dos pais e dos educadores, e sugerindo um equilíbrio e uma ética na utilização das novas tecnologias. Espero que a sua leitura possa ser útil para um público alargado, desde pais e educadores a profissionais de saúde, bem como para qualquer pessoa consciente dos desafios da era digital.»

Pedro Afonso é médico psiquiatra. Possui um Mestrado em Ciências do Sono e um Doutoramento em Psiquiatria e Saúde Mental pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Foi professor convidado no Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa, onde coordenou a Pós-Graduação em Psiquiatria e Saúde Mental (2012-2017), e professor auxiliar convidado de Psiquiatria na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (2011-2022). Colabora como professor convidado na AESE – Business School, no programa Executive MBA. 
Fundou e foi editor-chefe da Revista Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (2015-2023). É autor de várias obras de ficção e científicas, entre as quais se destacam Esquizofrenia (2010), O Sono e a Esquizofrenia (2012), Manual de Psiquiatria Clínica (2014), Quando a Mente Adoece (2015) e Dicionário de Psicopatologia (2020).

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Livro de contos «Árvore Anciã» entre as novidades das Edições Letras Lavadas

Árvore Anciã – Contos
, de Ricardo Barros 
Uma árvore, anciã como as nervuras do tempo, cresce no cerne deste livro. Os contos, veios de um tronco enrugado, urdem memórias e identidades entre o que se diz e o que se perde no rumor das raízes. O autor escreve como quem rasga a pele do mundo: a pena arde, febril, entre lirismo e crueza; devassa segredos no lume incerto da memória e varre a fuligem do passado – a nostalgia de infâncias perdidas, ecos da guerra colonial que colidem com a dureza da cidade, rostos de família que persistem na bruma dos dias. 
As palavras ora correm como um rio sereno, ora se partem como um osso exposto entre carne e metáfora – fluxo incandescente, sulco na madeira, cicatriz no tempo. Árvore Anciã não é um livro: é um corpo pulsante, trespassado pelo lume e pela voragem. Quem o lê não o lê – entra nele, perde-se, torna-se a própria travessia.


A Multiplicação dos Milagres
, de João Pedro Porto 
Berto Brizi é a Osga, um editor turinense radicado em Milão que, à falta de bons autores, e confinado a uma vida de hedonismo, hipocondria e muita preguiça, inventa três génios literários. Um dia, batem-lhe à porta os três, encarnados, sanguíneos de paixões e ódios. Que fará Brizi? Denunciar os farsantes será denunciar a sua farsa e, assim, perder os seus confortos. 
A sua caprichada mentira poderá agora ser uma verdade da qual não consegue escapar. Uma viagem por Itália, sem que essa palavra seja uma vez escrita ou lida, desde uma aldeia fantasmagórica piemontesa até ao grande vulcão do sul, enchendo olhos e estômagos com inexpugnáveis iguarias, antigas fábulas de máquinas, figuras e criaturas míticas, esta é uma carta de amor ao país de Dante, e um elogio ao lugar da ficção no mundo. 
Uma história atemporal que denuncia os nossos dias de verdades incertas. Um romance ao estilo de Italo Calvino, com o sentido cénico de Pirandello, mas numa voz distinta, que testará o leitor mais pronto à verdadeira aventura literária.


Quando o desejo sabe a mar
, de Carlos Enes 
Dizes bem: o desejo sabe a mar. Incorpora a imensidão, a frescura, o inesperado, a inconstância e a pitada de sal que tempera o desassossego das nossas almas. Se eu fosse o Criador transformava todos os dias da semana em quintas-feiras. Os dias do nosso amor. Amor apressado, clandestino, amor esplendoroso e louco. Dou a vida para estar contigo, pois cada minuto é um minuto de ouro, como bem afirmas. 
Sinto-me terra por lavrar, aguardando a cada instante o orvalho da madrugada, o arado que me revolve em ondas de prazer infinito. Adoraria que as noites fossem passadas ao teu lado e não aqui por cima de ti. Nem imaginas o que sofro, ao saber que há apenas um soalho a separar-nos. Quando o silêncio é mesmo silêncio, ouço os teus passos e, se apurar bem o ouvido, até agarro a tua respiração. Como poderei dormir nestas condições? 
Não sei que forças invisíveis me impedem de saltar da cama, descer a escada e entrar nos teus lençóis. E depois de saciar a fome, pedir que cantes baixinho, em serenata doce junto do ouvido: Amapola, belíssima Amapola…


Recomeçar – Livros, viagens e histórias de amor
, de Paulo Noval
O silêncio de Paul B. Valley, um escritor de renome, ecoa mais alto do que as suas palavras. No auge da sua carreira, faz uma escolha radical: deixar a escrita para trás e partir numa busca interior que o levará ao encontro do que perdeu. Entre a Ilha Terceira e as grandes metrópoles, entre o passado dos seus pais e o seu presente, Paul desvenda as camadas de uma vida marcada por perdas. É uma viagem de regresso a casa, não apenas à ilha onde nasceu, mas também ao coração da sua própria história. Ao reencontrar o seu amor de juventude, Paul confronta-se com a possibilidade de um novo começo.
Recomeçar é uma celebração da vida, da literatura e do amor que, tal como as ondas do Atlântico, nos leva de volta ao lugar onde tudo pode ser reinventado.