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Editora: Casa das Letras
Data de publicação: 15-07-2025N.º de páginas: 344 |
A Casa das Letras apresenta aos leitores portugueses o romance de estreia de Garrett Carr, professor de Escrita Criativa na Universidade de Belfast e colaborador do The Guardian e do Irish Times. Este autor e investigador irlandês interessa-se particularmente pelas relações entre as pessoas, as paisagens e a Natureza — um interesse que se revela de forma evidente nesta narrativa, traduzida para português por Ana Saldanha a partir de The Boy from the Sea.
Em 1973, a comunidade de uma pequena aldeia piscatória na costa oeste da Irlanda é abalada pela descoberta de um recém-nascido que, trazido pelas ondas, dá à costa dentro de um barril. «Embora a ideia de que o bebé viesse com a maré fosse uma loucura, era a única explicação que circulava» — e que fascinava todos os habitantes.
Ambrose Bonnar, o pescador que encontra o bebé, decide adoptá-lo e dar-lhe o nome de Brendan. A sua esposa e o filho biológico tornam-se, assim, parte da família mais comentada da vila, onde os mexericos e os segredos são parte do quotidiano. Nem todos, porém, se mostram felizes com a chegada da criança — sobretudo a cunhada solteirona e carrancuda do pescador, sobrecarregada de trabalho e subjugada pela autoridade do pai.
À medida que Brendan cresce, revela-se inquieto e enigmático, desaparecendo durante horas em longos passeios junto ao mar, com o qual estabelece uma ligação profunda e quase espiritual. Mas, como lembra o autor, «qualquer infância está cheia de perdas».
Em O Rapaz Que Veio do Mar, Carr constrói uma prosa onde o homem e o mar se entrelaçam numa relação simbiótica. Explora temas como a identidade, a pertença, a imigração e a conexão com a natureza. O autor, também cartógrafo, demonstra habilidade na construção de imagens e na escrita fluida, o que torna o romance fácil de ler. No entanto, essa qualidade não é suficiente para sustentar a narrativa até ao fim. Apesar de algumas passagens bem conseguidas, o livro acaba por desiludir a partir de metade do livro. O mar surge como elemento simbólico recorrente, mas nem sempre consegue cumprir o papel de força estruturante do enredo. No conjunto, trata-se de um romance mediano, com episódios que poderiam ter sido eliminados sem prejuízo, já que pouco ou nada acrescentam ao desenvolvimento da narrativa ou das personagens.
Garrett Carr já escreveu um livro de não-ficção, The Rule of the Land, e três obras infantis.

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