segunda-feira, 15 de abril de 2019

«Eu e o Meu Medo», de Francesca Sanna

Editora: Fábula
Data de publicação: 03-04-2019
N.º de páginas: 40
«Eu sempre tive um segredo: um amigo pequenino chamado Medo.» Assim tem início esta história narrada por uma menina que acaba de chegar a um novo país, depois de ter sido forçada a abandonar o seu.
Todas as crianças sentem medo, e é normal que sintam. O medo corresponde a uma emoção desagradável e tem componentes fisiológicas, cognitivas e comportamentais, sendo ele a resposta a uma causa reconhecida conscientemente de perigo (que pode ser real ou imaginário).
Para a jovem protagonista desta história, o (seu) Medo (com éme maiúsculo) sempre tomou conta dela e sempre a protegeu. Mas agora, «desde que viemos para este país, o Medo deixou de ser assim tão pequenino.» Por exemplo, quando chega a hora de ir para a escola, Ele potencializa a sua ansiedade, deixando-a triste e incapaz de interagir com os novos colegas de escola e do bairro.
Esse seu amigo, que era pequenino e que ajudava-a (sim, o medo serve para nos proteger das situações que são mesmo perigosas) antes de ela ter fugido do seu país, agora, aumentou de tamanho e quase que a sufoca.
Quando esta menina aprende a enfrentar os seus receios, deixando de fugir de situações aparentemente angustiantes, ela percebe que o perigo não era assim tão grande quanto imaginava e, enquanto maior confiança ganha, menor será o tamanho do seu Medo.
O medo é um sentimento que está sempre presente nas crianças refugiadas, antes, durante e após a fuga.
Depois do seu aclamado livro de estreia, A Viagem, que teve o apoio da Amnistia Internacional e que em Portugal já é um livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura, Francesca Sanna regressa com um novo livro que também toca no tema da criança refugiada, mas cujo foco principal não é a viagem de transição de país, mas a experiência de adaptação num território desconhecido.
Em Eu e o Meu Medo, a autora trabalha de forma sensível, através das palavras e das ilustrações, um dos sentimentos mais comuns e dolorosos por qual as crianças refugiadas têm de lutar quando num país novo chegam.
Tal como no primeiro livro, a parte gráfica e ilustrativa desempenha um papel crucial nesta obra infantil, particularmente no modo como os medos são apresentados. Se no primeiro livro, o preto é a cor que predomina as páginas, neste, o branco (embora haja uma paleta cheia de cores alegres) é a cor em destaque, por ser a que simboliza as deambulações e ansiedades da protagonista.
Mostrar como a amizade, a empatia e a conexão podem ajudar a reduzir o medo, esta é uma das mensagens de Eu e o Meu Medo, um livro que nos lembra que ao longo da vida somos estimulados a lidar com o medo, e que é impossível imaginar uma realidade em que Ele não exista.

1 comentário:

Lídia Fróis disse...

Parece ser um livro maravilhoso para crianças que estão a vivenciar a experiência da emigração! O tema é muito interessante e muito real nos nossos dias. Enfrentar os medos negativos é concerteza um desafio! Gostei da cor do 'medo' branco, neutro... pois remete á ideia de que o medo também ajuda a dar coragem e é amigo!