Mário Casimiro (1925–2003) licenciou-se em Medicina na Universidade de Lisboa (1953), onde, tal como no Hospital Júlio de Matos, foi assistente de Psiquiatria do Professor Barahona Fernandes. Foi um destacado psicanalista português, membro pioneiro do grupo de estudos que deu origem à Sociedade Portuguesa de Psicanálise (SPP) no final da década de 1960. Trabalhou ao lado de figuras como João dos Santos e António Coimbra de Matos, contribuindo para o desenvolvimento da formação psicanalítica em Portugal.A publicar a 20 de Fevereiro pela editora Taiga, Mário Casimiro - A Psicanálise pode ser aprendida, mas não ensinada, tem organização e apresentação de João Pedro Fróis, investigador convidado da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, investigador afiliado do Center for Phenomenological Psychology and Aesthetics da Universidade de Copenhaga, membro do Conselho Internacional de Museus e da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental. Trabalhou largos anos como psicólogo na área da Saúde Mental e Reabilitação de crianças e jovens.
Texto de apresentação
A presente obra reúne dez ensaios da autoria de Mário Casimiro (dos quais sete são inéditos), escritos entre 1966 e 1996, e dez desenhos da sua autoria. João Pedro Fróis, responsável pela sua recolha e organização, permite-nos aceder ao pensamento psicanalítico de um dos primeiros e mais proeminentes psicanalistas portugueses.
Num estilo de escrita caracterizado por João Fróis como «denso, mas directo à compreensão», Mário Casimiro trata, nestes textos, de temas caros à psicanálise, como — de entre outros — a arte, a regressão, as perversões, a agressividade ou o fetichismo, revelando um vasto conhecimento teórico e cultural. Maioritariamente concebidos com objectivo formativo ou para publicação em revistas científicas, são reveladores não só do pensamento do autor, mas também dos rumos da psicanálise portuguesa na segunda metade do século XX.
Por tudo isto, o presente livro é — também — uma homenagem a Mário Casimiro, que tendo sido, porventura, o mais discreto psicanalista didacta da sua geração, foi também dos mais brilhantes, marcando a vida de analisandos, alunos e colegas, e merecendo, por isso, um lugar de destaque na História da Psicanálise em Portugal.
“Há duas maneiras diferentes de modificar as coisas deste mundo. Uma baseia-se na técnica de prestidigitador ou de mágico, a outra, na técnica do operário ou do cientista. Uma contenta-se com a alteração das aparências, a outra exige a transformação dos fundamentos.” — Mário Casimiro

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