terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

«Morte na Cornualha», de Daniel Silva

Editor: HarperCollins
Data de publicação: 05-03-2025
N.º de páginas: 400


No mais recente livro da série Gabriel Allon, Daniel Silva prova que ainda tem muito fôlego narrativo. Morte na Cornualha não é apenas mais um tríler de espionagem: é um regresso simbólico a um dos cenários mais marcantes da saga e uma demonstração de maturidade literária. Entre a sofisticação do mundo da arte e a brutalidade de um assassino em série, o autor de A Ordem, O Confessor e O Colecionador constrói uma história envolvente, elegante e cheia de tensão. 
A história começa com a celebração da recuperação de uma obra de Van Gogh numa galeria londrina. Gabriel Allon, o restaurador de arte incumbido do restauro, parece estar apenas a cumprir um dever profissional. Mas, durante a comemoração, recebe uma chamada do sargento-detetive da Polícia da Cornualha: um assassino em série já matou quatro mulheres. Charlotte Blake, professora em Oxford e respeitada especialista em História da Arte e investigadora de proveniência (verificava a origem, autenticidade e histórico de obras de arte), surge morta, e tudo indica que será a quinta vítima do “Lenhador”. 
Um telemóvel desaparecido. Indícios de que Blake investigava um Picasso roubado, avaliado em milhões de dólares… Aos poucos, a narrativa desmonta a hipótese mais óbvia e revela algo muito mais sofisticado do que um simples caso de psicopatia rural. 
Morte na Cornualha confirma Daniel Silva como um mestre do equilíbrio entre acção e elegância. A brutalidade do serial killer contrasta com a delicadeza do mundo artístico, criando uma tensão permanente entre o sublime e o selvagem. A grande questão que fica no ar — Charlotte Blake foi realmente vítima do assassino em série ou peça num jogo muito mais vasto? — sustenta o suspense até ao fim.
Importa ainda informar que, no início de Março, a HarperCollins publicará A Obra-Prima, o 25.º livro do autor protagonizado por Gabriel Allon.

Excerto
«Eram onze e dezassete da noite, quando a porta de madeira do abrigo, finalmente, se abriu e dois homens entraram na cela improvisada de Gabriel. Amarrado e encapuzado, não sabia que horas eram, mas o número de visitantes era facilmente discernível pelo som dos sapatos que se arrastavam pelo chão de cimento.»

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