terça-feira, 12 de junho de 2018

4 novos romances que aí vêm

O Primeiro Homem, de Albert Camus (Ed. Livros do Brasil)
O manuscrito por terminar de O Primeiro Homem foi descoberto nos destroços do acidente de automóvel que vitimou Albert Camus, em 1960. Embora tenha permanecido inédito durante mais de trinta anos, tornou-se um bestseller imediato quando finalmente foi publicado em 1994.
O mais autobiográfico de todos os romances do escritor francês, Nobel da Literatura em 1957, oferece ao leitor um olhar singular sobre a vida do autor e sobre os temas poderosos transversais a toda a sua escrita: a consumação brilhante da vida e obra de um dos maiores romancistas do século xx.


A Biblioteca dos Livros Proibidos, de Tom Pugh (Ed. Alma dos Livros)
Janeiro de 1562. A Europa é o epicentro de uma verdadeira luta entre a luz e as trevas. Em Moscovo, Matthew Longstaff tenta cumprir a missão que lhe foi confiada: roubar um livro da biblioteca privada de Ivan, o Terrível. Longstaff trabalha para os Otiosi, um grupo clandestino de livres-pensadores determinado a manter acesa a chama do livre-pensamento que começa a expandir-se por toda a Europa. Também a trabalhar para os Otiosi encontra-se o médico e aventureiro Gaetan Durant, encarregado de obter um palimpsesto raro.
Numa Itália mergulhada na Contrarreforma os inquisidores do papa mostram-se determinados a destruir qualquer foco de conhecimento livre. O seu líder, Gregorio Spina, chefe censor e espião do papa, captura o líder dos Otiosi em Florença e tortura-o em busca de informações. Os segredos da Biblioteca do Diabo podem estar ao alcance de Spina, e os primeiros passos dados pela humanidade em direção ao Iluminismo correm o risco de serem apagados da História.


Os Crimes Inocentes, de Gabriel Magalhães (Ed. Planeta)
A estreia auspiciosa do reputado professor catedrático de Literatura, no género policial. Uma intriga subtil sobre os bastidores do poder político e os meandros da cultura que decorre nalguns dos mais emblemáticos e belos lugares de Lisboa. Personagens fortes, um protagonista atípico e um piscar de olho à história.
Um homem aparece assassinado no salão principal do Museu dos Coches de Lisboa, com uma lança atravessada no ventre.
Ao longo dos dias seguintes, morrem misteriosamente mais pessoas.
Um livro inteligente e divertido, que ajuda a perceber a sociedade portuguesa e as suas elites, a partir de uma sucessão de crimes que assentam na ganância, vaidade e desejo de poder.
Uma obra que percorre os lugares mais emblemáticos de Lisboa e oferece uma visão irónica dos bastidores da cultura e da política, com os seus jogos e guerras.

Do mesmo autor: Como Sobreviver a Portugal continuando a ser Português (Planeta, 2014)
Como a Sombra que Passa, de Antonio Muñoz Molina (Ed. Ponto de Fuga)
A 4 de abril de 1968, Martin Luther King foi assassinado. Durante o tempo que permaneceu em fuga, o seu assassino, James Earl Ray, passou dez dias em Lisboa, a tentar obter um visto para Angola. Obcecado por esse homem fascinante, e graças à abertura recente dos arquivos do FBI sobre o caso, Antonio Muñoz Molina reconstrói o crime, a fuga e a captura de Ray, mas sobretudo os seus passos na capital portuguesa.
Lisboa é cenário e protagonista deste romance, enquanto destino de três viagens que se vão alternando na perspetiva do autor: a do fugitivo James Earl Ray em 1968, a do jovem Molina, que em 1987 partiu de Granada em busca de inspiração para O Inverno em Lisboa, livro que o consagraria, e a do escritor aclamado que tece a narrativa nos dias de hoje.
Original e apaixonante, Como a Sombra que Passa aborda, a partir da maturidade e num registo íntimo, temas relevantes na obra de Antonio Muñoz Molina: o passado como matéria de difícil recriação, o caráter fugaz do instante, a construção da identidade e o fortuito como motor do real, que neste livro ganham forma através de uma primeira pessoa inteiramente livre que desafia perceções e se resolve no próprio processo de escrita.
Obra finalista do The Man Booker Prize 2018. 

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