sábado, 11 de abril de 2020

«Chuva Miúda», de Luis Landero

Edição: Porto Editora
Data de publicação: 13-02-2020
N.º de páginas: 240
Miguel Filipe Mochila traduziu para português Lluvia fina, romance considerado pela crítica espanhola como o melhor do ano em 2019. Este nono romance de Luis Landero (n. 1948), que será adaptado para o teatro e televisão, foi publicado 30 anos após a sua estreia na literatura com Jogos da Idade Tardia (Dom Quixote, 1992).
Não é spoiler dizer que esta história começa por ser banal e festiva e que acaba em ruína e em desgraça; logo nas primeiras páginas, somos informados sobre o início e o fim.
Em 2018, para comemorar o octogésimo aniversario da mãe, Gabriel, um professor de 45 anos, decide reunir a família, para saldar ofensas e rancores que eles guardam uns pelos outros. Aurora, a mulher, não acha uma boa ideia: «Não telefones já. Espera pelo menos até amanhã. Mas ele não a ouviu.»
Já tinha passado dez anos desde a última vez que Gabriel e as irmãs Sonia e Andrea se tinham juntado todos, na casa da mãe, num almoço que culminou com o rompimento de relações entre estes irmãos «quase inimigos» deste os tempos de adolescência.
A matriarca, uma mulher austera, pessimista e materialista, cedo ficou viúva, e com três filhos para criar sozinha. A inaptidão para ser uma mãe afectuosa e pouco ambiciosa para com o futuro dos filhos, fez com que a filha mais velha, Sonia, aos 14 anos, largasse o seu sonho de estudar línguas para poder viajar pelo mundo, para trabalhar numa retrosaria. Fez com que Andrea, dois anos mais nova, largasse os estudos para trabalhar num lar de idosos. E, para desolação e inveja das irmãs, deixou o filho mais novo seguir os seus desígnios sem se opor.
Casamentos forçados, abusos consentidos, mentiras cruéis, traumas que não se pode delir. Cada membro desta família tem as suas histórias importantes para contar.
«Todos temos uma data de palavras guardadas cá dentro que são como feras enjauladas e famintas que se debatem para ver a luz do dia.»
Aurora é uma das personagens centrais desta trama, visto ser a ela – que por ser uma mulher que ouve, cala e compreende – que todos contam os seus segredos: «ela nunca se importou de ouvir os outros», ela «alivia os pesares de todos e pacifica as discórdias.» O que eles não sabem é que também Aurora tem uma história para contar.
«As águas passadas regressam sempre turvas»
Chuva Miúda é um romance magistral, entusiasmante, lúgubre e completamente original. Através de uma estrutura polifónica pouco usual, uma linguagem cuidadosa e densa camuflada por uma aparente simplicidade, e uma excelente construção psicológica dos personagens, Luis Landero apresenta uma história crível e avassaladora sobre os relacionamentos familiares e românticos.
Sobre este seu romance, numa entrevista que deu em Dezembro passado ao El Mundo, o escritor espanhol de 72 anos, que é considerado um dos nomes essenciais da literatura espanhola, disse: «En la familia todo se encona porque hay cuentas que sanar, agravios que la imaginación exalta. O se inventan. Traumas... Y, por supuesto, reproches que se suelen hacer tardíamente. El victimismo está en todas partes, siempre buscamos culpables (…) Las frustraciones las proyectamos en la familia.»

Excertos
«A verdadeira felicidade só se encontra no mais fundo da dor, (…) só aí é que uma pessoa aprende a amar o próximo a sério.»

«Instala-se um longo silêncio. Mas os silêncios já não são como dantes. Dantes, o que as palavras evitavam ou se esqueciam de dizer diziam-no os silêncios com o descaramento das crianças ou dos papagaios, mas agora não, agora os silêncios carecem de vida e não têm nada a acrescentar ao já dito. São tão brutos e espessos, os silêncios, que nem sequer os lugares-comuns, as frases feitas, conseguem penetrar neles.»

quinta-feira, 9 de abril de 2020

«Cosmos: Mundos Possíveis», a continuação do grande clássico de Carl Sagan

Cosmos: Mundos Possíveis é a continuação da emocionante odisseia que Carl Sagan - cientista, físico, biólogo, astrónomo, astrofísico, cosmólogo, escritor, divulgador científico e activista norte-americano falecido em 1996 - e a sua mulher, Ann Druyan, começaram juntos. O livro chancelado pela Gradiva, encontra-se à venda no site da editora e nas livrarias digitais habituais. O premiado Cosmos: Odisseia no Espaço é um fenómeno global, exibido em 181 países em todo o mundo.
Agora, com Cosmos: Mundos Possíveis, Ann Druyan continua a aventura electrizante que levará o leitor através de 14 mil milhões de anos de evolução cósmica e aos recantos mais íntimos da Natureza. Aqui são incluídas histórias nunca contadas de «interrogadores» destemidos cuja busca nos proporcionou o vasto Universo que começamos agora a conhecer. Neste livro cativante, Druyan prevê o futuro inspirador que ainda podemos ter neste mundo, se acordarmos a tempo de usar a nossa ciência e a alta tecnologia com sabedoria.

No canal National Geographic, a série homónima está a ser exibida desde 9 de Março.

Outros livros de Carl Sagan e Ann Druyan: Cometa e Sombras de Antepassados Esquecidos.

domingo, 5 de abril de 2020

«O Lado Negro da Mente», de Kerry Daynes

Editora: Bertrand
Data de publicação: 07-02-2020
N.º de páginas: 240
A britânica Kerry Daynes afirma que «cada pessoa tem as suas histórias importantes para contar.» Talvez por isso, esta psicóloga forense que conta com quase vinte e cinco anos de experiência a trabalhar com vítimas e agressores, decidiu que chegara a hora de contar as suas memórias, não só profissionais, mas também pessoais. «Escrever o livro funcionou um pouco como terapia», «Há um poder enorme em contar a nossa própria história», «foi um processo muito emocional», revelou numa entrevista.
São relatos fascinantes, complexos, aterrorizantes, mas também, por vezes, plenos de humanidade, os que a autora britânica de 46 anos apresenta em O Lado Negro da Mente.
Em cada um dos 11 capítulos do livro, Kerry recupera um ou vários casos de clientes e pacientes seus, com quem trabalhou em prisões ou em hospitais psiquiátricos. São exemplos os seguintes: Alison, condenada pela morte do marido; Marcus, um doente esquizofrénico que matara o irmão; Gary, um pedófilo a cumprir pena, cuja consulta e análise do seu historial clínico revelou-se fulcral para a psicóloga dar o seu testemunho em tribunal; e Jeane, diagnosticada com perturbação de personalidade borderline, que tentava periodicamente auto-mutilar-se (esta foi a única paciente que alguma vez Kerry deixou que a visse a chorar).
Ao analisar quotidianamente e ao longo de vários anos a psique de homens e mulheres condenados, ao tentar compreender os processos mentais por trás dos seus actos criminosos, esta psicóloga astuta e pragmática conta-nos que esse trabalho complexo e minucioso revelou-se um desafio constante, que confrontava as suas próprias crenças sobre ofensores e vítimas. Kerry confessa que alguns pacientes a ajudaram a se tornar uma pessoa mais compassiva.
Como referido acima, a história da sua carreira entreliga-se com acontecimentos pessoais dramáticos com que teve de lidar: «Passara muito tempo a olhar para o abismo, as fendas negras da mente onde as coisas más habitam e apodrecem, e agora o abismo estava a olhar para mim.» Um relacionamento amoroso com um parceiro controlador e abusivo, enquanto era psicóloga estagiária, e mais tarde, após ser uma presença assídua em programas televisivos, foi alvo de um stalker, uma experiência angustiante de perseguição.
O Lado Negro da Mente é um livro de memórias franco e envolvente, escrito por uma das mais reputadas psicólogas forenses do Reino Unido, que nos apresenta a sua visão, muitas vezes incisiva, do mundo do encarceramento e da saúde mental nesse país.
A linguagem adoptada no livro é acessível, com um tom certo e linguagem isenta de jargões, tornando acessíveis a todo o leitor as suas explicações sobre o comportamento humano. Salientar o humor refinado e perspicaz (muitas vezes “camuflados” dentro de parêntesis) com que a autora teceu algumas partes do livro.
O Lado Negro da Mente é o título a procurar nas livrarias por psicólogos ou leitores com curiosidade em perceber um pouco mais sobre os meandros da mente humana.

Excertos

«Às vezes, só temos de nos sentar com uma pessoa e validar o que ela está a sentir, sem temer a sua dor e o seu desgosto.»

«As histórias que contei aqui são apenas um punhado das experiências que fazem de mim quem sou como psicóloga forense e como pessoa.»

«Deixa-te de Mentiras», de Philippe Besson

Editora: Sextante
Data de publicação: 06-02-2020
N.º de páginas: 160
Nasceu em 1967, estudou Direito e trabalhou como jurista e professor até 2002, ano em que viu publicado o seu terceiro romance. Philippe Besson tinha-se estreado na literatura no ano anterior, com o romance En l'absence des hommes (publicado em Portugal em 2008 sob o título Em Tempos de Guerra) e confortado pelo excelente feedback que os seus romances obtiveram por parte dos leitores e da crítica, o escritor decidiu dedicar-se exclusivamente à escrita.
O seu décimo oitavo romance foi lançado em França em 2017 (actualmente já ultrapassou o número de 200 mil exemplares vendidos) e recebeu vários prémios, e tem já assegurado para breve a sua adaptação ao cinema. Falo de Deixa-te de Mentiras, um livro escrito com uma rara sensibilidade e beleza, absolutamente perfeito desde a primeira até à última frase.
No Inverno de 1984, numa pequena cidade no sudoeste da França, dois jovens encontram-se no último ano do liceu. Um, «um rapaz de cabelos emaranhados, de barba a despontar, de olhar sombrio», é robusto, pouco sociável e vive no meio rural. O outro, um ano mais novo, é o melhor aluno da turma, tem uma índole sensível e alguns trejeitos efeminados ‒ «Dizem que eu prefiro os rapazes», é o rumor que corre sobre ele na escola.
Um dia, um aborda o outro e rapidamente estabelecem um relacionamento emocional e sexual. Nas semanas seguintes, durante encontros clandestinos descobrem as potencialidades do corpo, do sexo, e assim, com as necessidades consumadas, florescem ritos e tormentos que a primeira inocência perdida faz despertar.
«Estava enternecido», «fascinado», «perturbado», «seduzido», «apanhado», «cego», «a verdade nua e crua, é que eu estava apaixonado». 
Com o findar da Primavera, chega também o fim do liceu. Mas não o fim da história.

«Porque tu um dia hás de partir e nós vamos ficar.»

«O tempo foi passando, a vida passou-nos por cima, modificou-nos, transformou-nos.»
 
Deixa-te de Mentiras é um livro profundamente íntimo, tocante e enternecedor. A história fala sobre os encontros que mudam tudo, sobre as encruzilhadas involuntárias que provocam o desvio de uma trajectória.
Através de um estilo auto-reflexivo, fragmentado e refinado, (numa parte do enredo) uma linguagem isenta de filtro e usando como figura de estilo predominante a analepse, neste romance Philippe Besson captura sentimentos complexos e fulgurantes como o amor, a rejeição, o desamparo, a nostalgia e a dor.
Deixa-te de Mentiras (Arrête avec tes mensonges), romance cujo enredo nos reporta automaticamente para Brokeback Mountain, de Annie Proulx, e O Amante, de Marguerite Duras, é o primeiro volume de uma trilogia autobiográfica (que na França já ficou completa em 2019 com Un certain Paul Darrigrand e Dîner à Montréal).
No Goodreads, no dia de hoje, este livro conta com uma classificação de 4.27 em 5, média das pontuações dadas por mais de 5 mil leitores que estão registados nessa plataforma.
Este escritor francófono já escreveu 21 romances, 3 novelas e um livro de poesia, alguns deles já traduzidos para cerca de vinte idiomas.

Excertos
«Sinto-o, este desejo, um formigueiro no ventre percorre-me a espinha. Mas tenho de conter incessantemente, reprimi-lo para que não salte aos olhos dos outros.»

«Como se a vida fosse assim, simplesmente assim, sermos amigos e perdermo-nos de vista e continuar a viver, como se não houvesse desolação, separações que nos deixam exangues, ruturas de que nos recompomos à custa de muito penar, arrependimentos que nos perseguem durante muito tempo.»

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Não acompanhaste as 3 temporadas de 'A Casa de Papel'? Então este livro é para ti!

A quarta temporada da famosa série produzida em Espanha A Casa de Papel, estreia hoje na Netflix. Para quem prefere passar o seu tempo livre a ler, fica a sugestão: A Casa de Papel - Escape Book - O diário do professor, um livro com enigmas construídos a partir de fotogramas das três temporadas da série.

Sinopse
Sergio Marquina mais conhecido como o Professor, líder do maior assalto da história de Espanha, passou parte da infância e adolescência no Hospital de San Juan De Dios em San Sebastián, onde travou amizade com Jero Lamerca.
Nos piores dia de Jero, Sergio que já mostrava sinais de uma mente privilegiada, idealizava jogos para manter o amigo motivado. Quando o olhar de Sérgio estava ausente, era Jero quem o trazia de volta ensinando-lhe a fazer passarinhos de papel.
Passou algum tempo desde o roubo milionário na Casa da Moeda e do Papel. Hoje, enquanto guardava as poucas coisas que estavam na oficina de motas que tem de fechar, Jero recebeu uma encomenda. No interior, uma carta sem assinatura, um caderno, uma caixa fechada com um cadeado, uma fotografia de uma máscara de Dalí e um passarinho vermelho.
Jero não tem dúvidas. Sérgio Marquina deixou-lhe uma parte do saque escondida, uma nova oportunidade. Apenas tem de destrinçar as pistas para o encontrar.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

«Os Outros», de C. J. Tudor

Editora: Planeta
Data de publicação: 04-02-2020
N.º de páginas: 368
Após O Homem de Giz (2018) e Levaram Annie Thorne (2019), a escritora britânica C. J. Tudor apresenta aos leitores um novo tríler psicológico, cuja trama nos deixa preso em cada volta e reviravolta, cada choque, cada revelação.

A premissa: uma mãe e uma filha são assassinadas versus uma mãe e uma filha em fuga.

A história começa com o pior pesadelo de um pai se tornando realidade: «É a respeito da sua mulher… e da sua filha.» Quando Gabe Forman é informado pela polícia que Jenny e Izzy foram encontradas mortas na sua casa, o seu mundo desaba. A polícia acredita que a mulher e a filha de cinco anos tinham sido mortas durante um roubo que correra mal.
Três anos passados sobre este acontecimento, Gabe é um homem desequilibrado (não tinha familiares, nem amigos chegados, «não tinha emprego. Não tinha casa. Já não era pai nem marido») e o único que acredita que a filha ainda está viva: «passava o dia e a noite a conduzir para cima e para baixo ao longo da auto-estrada (…) à procura do carro que lhe levara a sua menina.»
Enquanto isso, juntam-se à narrativa uma mulher chamada Fran e a sua filha Alice ‒ da mesma idade que Izzy teria agora ‒, que fogem de alguma ameaça não especificada; uma empregada de balcão de uma das estações de serviço que Gabe começa a frequentar após a tragédia; e uma enfermeira que cuida há vários anos de uma criança em estado vegetativo.
E ‘Os Outros’, uma facção sombria a quem aconteceu coisas terríveis e que não encontra consolo no perdão ou no esquecimento, que papel terá para o desfecho desta história?
Com tradução (a partir de The Other People) a cargo de Mário Dias Correia, Os Outros é um romance intrigante e invulgar, tão obscuro quanto emocionante, que aborda temas como a vingança, o carma e o perdão.
Entrelaçando capítulos curtos e plenos de suspense, narrados pelas vozes de personagens psicologicamente desestruturados, em constante angústia emocional, e incorporando aqui e ali elementos do sobrenatural, C. J. Tudor volta a surpreender os leitores com uma história inebriante e original, cujo desfecho é impossível de prever.
Tal como nos seus livros antecedentes, neste seu terceiro tríler, a autora explora os perigos e os cantos mais escuros da infância e, em geral, das relações humanas.
Por os factos serem dados a conhecer muito lentamente (uma jogada estratégica bem eficaz), C. J. Tudor faz despoletar no leitor uma ansiedade contínua em relação aos acontecimentos passados e futuros do enredo, mantendo assim o leitor empolgado e disposto a virar a página.
Referir que neste seu novo trabalho, é notório um vocabulário e sintaxes mais ricos, revelando que a autora tem vindo a aprimorar a sua escrita.

Excertos
«Desaparecer é diferente de morrer. De certa maneira, é pior. A morte oferece finalidade. A morte dá-nos licença para chorar. Para fazer um serviço fúnebre, para acender velas e pôr flores. Para deixar ir.
Desaparecer é um limbo. Ficamos perdidos; num lugar estranho e sombrio onde a esperança brilha como uma débil chama no horizonte e a infelicidade e o desespero voam em círculos no céu, como abutres.»


«Não somos especiais. Somos como toda a gente, a caminhar por um campo de minas, a tentar fingir que o nosso mundo não pode ser feito em pedaços de um momento para o outro.»

«Tentamos não pensar na morte. E se pensamos, vemo-la como uma coisa distante e abstracta. (…) Tal como nos convencemos de que a tragédia nunca baterá à nossa porta porque somos de algum modo especiais e imunes. O pior que pode acontecer só acontece aos outros.»

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Novo livro do médico e cientista italiano Lamberto Maffei está entre as novidades da Almedina

Elogio da Rebeldia, de Lamberto Maffei
Paradoxalmente, o subproduto da tecnologia e da globalização é a solidão, uma solidão causada por um excesso de estímulos que induzem uma frenética atividade do cérebro, tirando espaço à reflexão e à liberdade de pensamento, saturado que está de ligações em rede e pela televisão. É a solidão de um cérebro que envia e recebe notícias apenas através de programas informáticos, mas que muitas vezes perdeu o contacto emocional com os outros. O cérebro superligado é um cérebro solitário, porque corre o risco de perder os estímulos fisiológicos do ambiente, do sol, da realidade pulsante da vida que o rodeia. Esta é também a solidão dos mais jovens, cuja atividade cerebral está a diminuir. Um cérebro sem estímulos é um cérebro em coma. É contra esta inatividade incapacitante que o autor de Elogio da Lentidão e O Elogio da Palavra se insurge nesta obra.

Como Tornar-se um Ditador, de Frank Dikötter
Mussolini, Hitler, Estaline, Mao Tsé-tung, Kim Il-sung, Ceausescu, Mengistu da Etiópia e Duvalier do Haiti.
Nenhum ditador pode governar apenas pelo medo e pela violência. Pode-se tomar e manter o poder puro e duro temporariamente, mas isso só não basta a longo prazo. Um tirano capaz de constranger o seu povo a aclamá-lo durará muito mais. O paradoxo do ditador moderno é que ele deve criar a ilusão do apoio popular. Ao longo do século XX, centenas de milhões de pessoas foram condenadas ao entusiasmo, obrigadas a saudar os seus líderes enquanto estes os conduziam para a escravidão.
Em Como Tornar-se um Ditador, Frank Dikötter regressa a oito dos cultos de personalidade mais perturbadoramente eficazes do século XX. Desde desfiles meticulosamente coreografados até à projeção premeditada de um véu de mistério, passando por uma censura de ferro, estes ditadores trabalharam incessantemente a sua imagem e encorajaram o conjunto da população a glorificá-los. Numa altura em que a democracia está em retrocesso, estaremos a assistir a um ressurgimento das mesmas técnicas entre alguns dos líderes mundiais atuais?
Este estudo oportuno, escrito com grande vigor narrativo, examina a forma como um culto se instala, cresce e se sustenta a si mesmo. Coloca o culto da personalidade onde este pertence, no próprio cerne da tirania.

A Economia dos Pobres, de Abhijit V. Banerjee e Esther Duflo
Durante mais de quinze anos, Abhijit V. Banerjee e Esther Duflo trabalharam em dezenas de países dos cinco continentes, tentando compreender os problemas específicos que surgem com a pobreza e encontrar soluções consistentes. O seu livro é, em simultâneo, radical, na medida em que repensa a economia da pobreza, e inteiramente prático nas sugestões que oferece, permitindo uma visão autêntica das vidas dos mais pobres do mundo.
A Economia dos Pobres defende que grande parte das políticas de combate à pobreza falhou ao longo dos anos devido a uma compreensão inadequada da própria pobreza. Esta batalha ainda pode ser ganha, mas irá requerer paciência, uma reflexão cuidadosa e a vontade de aprender com os factos. Banerjee e Duflo são visionários com sentido prático, e o seu trabalho meticuloso constitui um guia imprescindível para decisores políticos, filantropos, ativistas e qualquer pessoa interessada em erradicar a pobreza do mundo.

Para reduzir (ou potenciar) o stresse, chega o livro «Acalme-se, F*da-se!»

Da mesma autora de Mude a Sua Vida Aprendendo a Dizer que se F*da (2018) e Deixe-se de M*rdas (2019), a americana Sarah Knight, fica disponível na próxima sexta-feira, nas livrarias onlines,  o livro categorizado como de auto-ajuda Acalme-se, F*da-se!

Sinopse
Passa mais tempo a preocupar-se com os problemas do que a resolvê-los? Deixa que as dificuldades inesperadas estraguem o seu dia e não dorme à noite a pensar «e se…»?
Então está na hora de se acalmar, f*da-se. Só porque tudo à sua volta se está a desmoronar não quer dizer que não consiga tomar conta do assunto.
Quer esteja a preocupar-se com coisas que já aconteceram ou que ainda estão para acontecer, a antiguru, Sarah Knight, apresenta-lhe o método 'E Eu Ralado' para moderar a ansiedade e deixar de remoer as situações.
Aqui, outros livros do mesmo género, que desde 2018 têm sido publicados, alguns com excelentes alcances e sucesso.

 

quinta-feira, 26 de março de 2020

Actualidade | «Teletrabalho e Privacidade», livro de especialista na área de Direito do Trabalho

O que é o teletrabalho?
«De acordo com o artigo 165º do Código do Trabalho, considera-se teletrabalho a prestação laboral realizada com subordinação jurídica, habitualmente fora da empresa e através do recurso a tecnologias de informação e de comunicação.»
Eduardo Castro Marques, advogado, in Dinheiro Vivo, 20-03-2020.

Nas últimas semanas, devido à pandemia que está a assolar o mundo, muito têm-se ouvido falar em teletrabalho. E muitos portugueses passaram a trabalhar a partir do domicílio. Poucos livros foram publicados em Portugal sobre este tema. O mais recente foi publicado em 2008, A Alienabilidade no Direito Laboral - Trabalho no domicílio e teletrabalho, de António Lopes Batalha, e em 2004, Teletrabalho e Privacidade - Contributos e Desafios para o Direito do Trabalho (Editora RH).

Sobre o livro
Nesta obra analisa-se o recente regime jurídico de uma figura que emerge no mundo organizacional e que a curto prazo terá certamente um enorme impacto no mundo laboral. Na nossa sociedade as empresas veem-se obrigadas a explorar todas as potencialidades em matéria de produtividade e de eficácia. Recentemente consagrado no Código do Trabalho - Lei n.º 99/2003, de 27 de agosto - o teletrabalho representa atualmente um novo e importante instrumento de gestão de recursos humanos no âmbito da «sociedade da informação». Além disso, e para aqueles que advogam que no futuro o trabalho se deve organizar «mais em torno dos processos e dos resultados do que em torno das funções e hierarquias», o teletrabalho tornou-se uma componente fundamental das relações do trabalho.

Sobre a autora
Glória Rebelo é licenciada e Mestre em Direito e, ainda, Mestre em Sistemas Socio-organizacionais da Atividade Económica e Doutora em Sociologia Económica e das Organizações. É especialista nas áreas de Direito do Trabalho, Relações Laborais e Políticas Públicas.

Eis os títulos dos seus livros mais recentes: Trabalho, Emprego e Segurança Social (2018), Constituição e Mudança Socioeconómica (2018), Estudos de Direito do Trabalho (2019), Código do Trabalho - 2019 (2019) e Textos de um Tempo e Economia Social (2019).

sábado, 21 de março de 2020

Grande lançamento Círculo de Leitores: «A Bíblia Explicada pela Pintura»

Depois de publicar Heróis e lendas explicados pela pintura e A mitologia explicada pela pintura, o Círculo de Leitores apresenta um novo volume desta série de Gérard Denizeau (n. 1953), historiador de arte e musicólogo francês. A Bíblia Explicada pela Pintura, tal como os títulos anteriores, tem o formato 22,8 x 28 cm e encadernação em capa dura. Este álbum com belíssimas ilustrações contou com o trabalho de tradução de Maria Irene Bigotte de Carvalho e revisão de Isabel Araújo.
A premissa de A Bíblia Explicada pela Pintura é fazer com que o leitor desvenda os episódios sagrados do Livro dos Livros através das mais belas telas da História.
Sinopse
Todos reconhecemos as cenas da Anunciação, mas quantos sabem, por exemplo, quem são as personagens aos pés de Cristo no momento da Crucificação?
Ou como se identifica Judas nas pinturas da Última Ceia? Ou ainda o motivo pelo qual surge um carneiro ao lado de Isaac quando Abraão se prepara para sacrificar o filho?
Uma edição de luxo totalmente ilustrada, com as mais belas e emblemáticas representações de 50 episódios bíblicos e a reprodução integral das pinturas de Leonardo da Vinci, Caravaggio, Miguel Ângelo, Van Gogh, Rembrandt, Chagall, Rafael, Gauguin e muitos outros. Aprenda a ler e a decifrar os quadros destes artistas com a ajuda de pormenores explicativos.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Actualidade | «Prevenir doenças e conservar a saúde», de Francisco George, médico especialista em Saúde Pública

Viver com saúde e felicidade, por mais tempo e com maior qualidade de vida, é a aspiração principal de cada um de nós. Mas até que ponto cada cidadão deve ser responsabilizado pela protecção da sua saúde?
Como podem as medidas de saúde pública garantir a componente preventiva de conservação da saúde, em condições de sustentabilidade e igualdade social?
Até que ponto Portugal está preparado para responder de forma planeada e rápida a um cenário de crise na saúde?

Estas são algumas das questões tratadas no livro Prevenir doenças e conservar a saúde, publicado em 2019 pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. É da autoria de Francisco George (n. 1947), médico especialista em Saúde Pública desde 1977 e Presidente da Cruz Vermelha Portuguesa.
Neste ensaio claro e informativo, o autor partilha uma experiência vasta de serviço público e de liderança da Direção‑Geral da Saúde. Revê e faz o ponto de situação dos principais avanços, problemas e desafios da saúde pública a nível nacional. E explica o motivo por que prevenir doenças e conservar a saúde é um direito e um dever de todos e de cada um.
Excerto
«A saúde pública tem como pilares principais a prevenção de doenças e a promoção da saúde. O seu propósito é prolongar a vida, acrescentar anos à vida com a máxima qualidade possível, diferir o final. Em Portugal, 1 em cada 5 óbitos registados não ultrapassa a linha vermelha dos 70 anos de idade. Adiante-se, desde já, a necessidade absoluta de reduzir a morte prematura que ocorre antes dos 70 anos e adiar o fim da vida, através da implementação de medidas adequadas para prevenir doenças e promover a saúde, organizadas pelo Estado e pela sociedade.
Ora, é possível evitar doenças, quer agudas quer crónicas, e proteger ou promover a saúde, portanto, prolongar a vida de cada portuguesa e de cada português. De todas as cidadãs e de todos os cidadãos.»

quinta-feira, 19 de março de 2020

Novidade a sair em breve: «Pessoas Altamente Sensíveis»

Está previsto ser publicado no final do mês de Maio, pela Editora A Esfera dos Livros, o livro Pessoas Altamente Sensíveis. A autora, a holandesa Karina Zegers de Beijl (n. 1952), descobriu em 2004 que era uma pessoa altamente sensível (PAS), o que a levou a aprofundar os seus estudos, sobretudo na área do autoconhecimento. Em 2014, ela fundou e presidiu até 2018 a Asociación de Personas con Alta Sensibilidad de España (APASE), cujo principal objetivo é disseminar a característica de alta sensibilidade no mundo de língua espanhola e promover pesquisas sobre a mesma. É igualmente uma grande divulgadora do traço de personalidade Sensibilidade de Processamento Sensorial. Karina Zegers de Beijl é autora também de Niños con alta sensibilidad.
Neste livro poderás descobrir ou confirmar se és uma pessoa de índole sensível ou hipersensitiva e aprender a gerir o dia a dia nos teus relacionamentos, no trabalho, com os teus filhos…

Sinopse
Assustar-se com facilidade?
Angustiar-se quando tem muito para fazer?
Tem a necessidade de ser aceite, de agradar?
Não saber estabelecer limites?
É possível que seja uma pessoa altamente sensível (PAS).
A autora, explica-nos de que modo nos deveremos posicionar para podermos manter a nossa personalidade, sem que sejamos continuamente magoados por ela, ou como poderemos ajudar uma criança altamente sensível.

Outra novidade de Maio d'A Esfera dos Livros: Os Crocodilos Também Choram, de Javier Gimeno

sábado, 14 de março de 2020

O livro mais íntimo e pessoal de Mitch Albom

As Edições Asa estão a fazem chegar às livrarias novas edições e novos lançamentos de livros de Mitch Albom, cuja obra começou a ser publicada no nosso país em 1999 pela Editora Sinais de Fogo, com As Terças com Morrie. Em 2004, a Pergaminho deu à estampa As Cinco Pessoas que Encontramos no Céu; em 2007, pela Editora Estrela Polar, foi lançado Por Um Dia Mais, e depois, novamente pela Sinais de Fogo Um Pouco de Fé (2012) e O Guardião do Tempo (2013).

Em 2015 foi lançado Uma Chamada do Céu, o ano passado saíram dois livros, As Cinco Pessoas que Encontramos no Céu e Reencontro no Céu, e agora, no final deste mês, esta editora do grupo LeYa publica Um Milagre chamado Chika, «uma história de entrega, coragem e amor sem limites; Uma homenagem à criança prodigiosa que mudou a sua vida e deu um verdadeiro significado à palavra família.» Este é tido como o seu livro mais íntimo e pessoal.

Chika nasceu em 2010, poucos dias antes do sismo que devastou o Haiti. Conviveu desde cedo com a miséria e o abandono. Mas aos três anos, após a morte da mãe, a menina conheceu um novo lar: o orfanato gerido por Mitch Albom e a mulher, Janine.
Graças à sua inesgotável alegria de viver, Chika fez de imediato as delícias das outras crianças e das professoras. Mas o Destino reservava-lhe mais um golpe cruel, pois aos cinco anos foi-lhe diagnosticado um tumor cerebral que nenhum médico no Haiti ousou desafiar.
Inconformados, Mitch e Janine deram início à jornada mais dura e ao mesmo tempo mais gratificante das suas vidas: a busca de uma cura para a corajosa menina. Primeiro nos Estados Unidos, e depois por todo o mundo, não houve porta a que não tivessem batido. E Chika foi ocupando cada vez mais espaço nas suas vidas e nos seus corações, ensinando-lhes, com o seu otimismo e humor, que onde há amor, há força para enfrentar até a mais terrível das perdas.

3 novos livros para quem gosta de "viajar" para além do que é perceptível

Novos livros de não-ficção estão quase quase a ser lançados: O Código da Emoção (Lua de Papel), A Vida Depois da Quase-Morte (Alma dos Livros) e Tudo o que Não Vemos (Lua de Papel).

O Código da Emoção, escrito pelo médico holístico Dr. Bradley Nelson, um dos mais conhecidos especialistas em métodos naturais, apresenta-nos um caminho simples e eficaz para nos livrarmos de toda a nossa pesada bagagem emocional. O autor ensina-nos a identificar e a libertar essas emoções através de terapias bioenergéticas, e a abrir o coração às energias positivas que nos rodeiam. Num livro poderoso, ilustrado com várias histórias reais de curas emocionais operadas pelo autor, O Código da Emoção é hoje - um pouco por todo o mundo - o livro de referência da auto-cura.
Podemos viver as emoções de diferentes maneiras. Na maior parte das vezes esquecemo-nos delas pouco depois de as vivermos. Há alturas, porém, em que não as processamos convenientemente, não deixamos que façam o seu caminho, e elas acabam por ficar presas no nosso subconsciente.
Essas emoções aprisionadas raramente passam despercebidas. Mais cedo ou mais tarde vão manifestar-se na nossa vida e no nosso corpo - através de dores ou mesmo de doenças. Vão também afetar-nos mental e emocionalmente, determinando o modo como pensamos e as escolhas que fazemos. Por outras palavras, vão condicionar não apenas o nosso sucesso, como a nossa própria capacidade para amar (ou ser amados).

Histórias reais milagrosas de cura e transformação, é o que podemos encontrar nas páginas de A Vida Depois da Quase-Morte, da autora americana Debra Diamond, que em 2008, depois de uma experiência de quase-morte que a deixou com poderes não convencionais, dedicou-se à busca de uma vida espiritual.
Este livro apresenta uma visão revolucionária para compreender a experiência de quase-morte e a transformação que ela pode trazer à nossa vida. Debra Diamond descreve a sua jornada pessoal e apresenta-nos os encontros impressionantes com pessoas que tiveram uma experiência de quase-morte, relatando-nos a sua permanente e esmagadora transformação psicológica, espiritual e física. Através do estudo de dezenas de casos reais, acompanhamos relatos incríveis de pessoas que desenvolveram talentos musicais e artísticos, raciocínio matemático fora do comum, audição extremamente aguçada, QI superelevado, cura espontânea, ou até a capacidade de interferir no funcionamento de aparelhos eletrónicos.
Ninguém precisa de ser declarado clinicamente morto para ter uma experiência de quase-morte e voltar dela transformado para sempre. Ao concentrar-se na aprendizagem que pode fazer, como ser humano, dos ensinamentos espirituais recebidos, fruirá de uma nova luz relativamente ao seu próprio caminho espiritual e ao nosso propósito coletivo enquanto humanidade.


«Ler este livro é como levar um soco. Prepare-se para rebentar a bolha da realidade em que vive.» É assim que a revista New Scientist resume Tudo o que Não Vemos, o livro da apresentadora e produtora de televisão Ziya Tong, que é também vice-presidente da World Wildlife Fund Canada – a maior organização canadiana de conservação da natureza.
Fomos educados para acreditar que tudo aquilo que vemos é real. Ziya Tong, o rosto dos mais importantes programas científicos do Canadá, começa este livro a falar sobre os limites físicos da visão, para nos provar que apenas vemos uma parcela ínfima da realidade. E a partir daí, desvenda-nos os ângulos mortos, sociais e culturais, que nos impedem de ver o mundo como ele é. Desde logo, a comida. Afastámo-nos de tal modo da origem dos alimentos que já não sabemos o que comemos. Olhamos para uma posta de salmão de aquacultura sem imaginar que aquela bonita cor é dada por um corante feito à base de petroquímicos.
Numa viagem guiada pelo tempo e espaço, a autora mostra-nos muito daquilo que os média ignoram: desde a origem da energia que nos move e aquece, ao destino que damos ao lixo (custa a acreditar que há cem anos não havia plástico; e que daqui a 30 haverá mais plástico do que peixes no oceano). Tudo o que fazemos, desde os nossos hábitos de sono às férias que gozamos, é determinado pela evolução de conceitos abstratos, que já nada têm a ver com a nossa natureza.
Livros que podem interessar:
O Último Abraço - Fenómenos paranormais no limiar da morte
Cura - Como a mente pode curar o corpo

Novo livro da historiadora brasileira Lilia Moritz Schwarcz chega a Portugal

De uma das historiadoras brasileiras mais influentes e premiadas da actualidade, Lilia Moritz Schwarcz, chega-nos, pela Editora Objectiva,  uma viagem urgente e esclarecedora aos subterrâneos da história brasileira. Sobre o Autoritarismo Brasileiro foi um dos 10 melhores e mais vendidos livros brasileiros de 2019 no Brasil.

Sinopse
Tal como os portugueses, também os brasileiros gostam de se crer mais diversos, tolerantes, abertos, pacíficos e acolhedores do que aquilo que realmente são. Esta mitologia, que domina ambas as narrativas nacionais, tem consequências muito visíveis e diretas na história destes dois países tão umbilicalmente ligados.
Ao longo de oito capítulos, Lilia Moritz Schwarcz, uma das mais conceituadas historiadoras do Brasil contemporâneo, explora temas tão determinantes quando fraturantes na história do Brasil: o racismo, a desigualdade social, a corrupção, a violência, a escravatura, a intolerância. Aqui se encontram algumas das raízes do autoritarismo brasileiro, na sua maioria originárias dos tempos coloniais e frequentemente mascaradas por uma mitologia nacional construída ad hoc e que obscurece uma realidade marcada pela lógica da dominação.
Para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, no Brasil e no mundo, é urgente analisar e compreender as origens da desigualdade e do descontentamento, destrinçar a história de uma nação dos seus mitos fundadores e lançar a escada para a via da educação e da cidadania activa.

«História não é bula de remédio nem produz efeitos rápidos de curta ou longa duração. Ajuda, porém, a tirar do véu do espanto e a produzir uma discussão mais crítica sobre nosso passado, nosso presente e sonho de futuro.»
Da introdução

Antropóloga e historiadora, Lilia Moritz Schwarcz é professora de antropologia na Universidade de São Paulo. É autora de obras como As Barbas do Imperador (Assírio & Alvim, 2003) e Brasil - Uma Biografia (Temas e Debates, 2015).

quinta-feira, 12 de março de 2020

Novos romances a publicar pela Cultura Editora: «A Bibliotecária» e «O Passado»

O Passado, romance escrito pela inglesa Tessa Hadley (n. 1956), será publicado amanhã pela Cultura Editora. Esta obra, «um grande triunfo da literatura contemporânea», foi elegida pelo Huffington Post como o melhor romance do ano 2015. Tessa Hadley é autora de vários romances aclamados, entre eles Clever Girl (2013) e Late in the day (2019).

Texto sinóptico
Três irmãs e um irmão regressam, para as últimas férias de verão, à velha casa dos avós. Trazem os filhos, uma nova esposa e o filho de um antigo namorado. Ao longo de três semanas, as memórias do passado e da infância voltam à superfície e as tensões aumentam, misturando-se com o ar quente e denso da paisagem idílica de uma pequena vila inglesa.
Tessa Hadley constrói um magnífico romance, só ao alcance de uma extraordinária autora, onde as particularidades das ligações familiares, as suas crises e alegrias, assumem o papel de protagonistas, assegurando que o passado fará sempre parte de nós.

Com data de publicação prevista para 3 de Abril, pela mesma editora chega-nos «um testemunho comovente da alegria de ler e do poder dos livros em mudar e inspirar todos nós.» A Bibliotecária (The Librarian, originalmente publicado em 2018) é da autoria da ex-professora universitária de literatura e psicóloga Salley Vickers, cujo estilo subtil e espirituoso e poder de observação clara da natureza humana foram comparadas a Penelope Fitzgerald e a Barbara Pym. Desta autora foram publicados em Portugal em 2007 Do Outro Lado de Ti e em 2010 Onde Três Estradas Se Encontram.

Texto sinóptico
Em 1958, Sylvia Blackwell, recém-licenciada de uma das novas escolas de bibliotecários do pós-guerra, assume um emprego como Bibliotecária Infantil numa biblioteca degradada na vila de East Mole.
A sua missão é despertar o entusiasmo das crianças de East Mole pela leitura. Mas o caso amoroso de Sylvia com o médico da vila casado e a amizade com a sua filha precoce, o filho do vizinho e a neta negligenciada da senhoria acendem os preconceitos da comunidade, ameaçando-lhe o emprego e a própria existência da biblioteca, com consequências dramáticas para todos.