sábado, 11 de abril de 2026

Os primeiros livros da Língua Perfeita

Língua Perfeita é o nome de uma nova editora dedicada à poesia e à narrativa breve. Vem afirma-se como um espaço editorial comprometido com a descoberta de novos autores e com a valorização de percursos literários singulares. A editora procura construir um catálogo onde a qualidade estética e a exigência crítica se sobreponham às lógicas comerciais imediatas. Obras de poesia e conto serão o reflexo da sua linha editorial.

Os primeiros dois títulos que inauguram o catálogo da Língua Perfeita já são conhecidos. Chegarão brevemente aos escaparates livreiros.


Sinopse
Estrada do Pacífico reúne um conjunto de contos centrados em personagens confrontadas com momentos de ruptura e por forças que moldam, ou desfiguram, a sua identidade — um espelho que devolve imagens do passado, uma estrada que conduz ao limite entre vida e morte, um tapete oferecido como enigma, uma língua ancestral ameaçada por uma canção, uma ilha que desaparece do horizonte e um corpo imóvel que sonha o mundo. 
Os contos decorrem em contextos diversos — do sul do Chile a La Paz, de Paris ao Médio Oriente, passando por espaços de clausura e paisagens insulares — e integram, de forma subtil, elementos de lenda e estranheza. Sem romper com o real, os personagens deslocam-se no quotidiano e introduzem uma tensão constante entre o que é vivido e o que é apenas pressentido.

O autor
Rogério da Silva
é licenciado em arte multimédia e mestre em audiovisuais pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Desenvolve um percurso artístico e académico que cruza a escrita de contos com a investigação científica, o desenho, a pintura e os meios audiovisuais.

Sinopse
Ouro e Enxofre é um livro de poesia de forte densidade imagética, onde o orgânico e o simbólico se entrelaçam. A palavra surge como matéria ardente convocando uma dimensão quase alquímica da experiência poética.

A autora
Ana Pinto constrói o seu percurso entre as artes visuais e a escrita, sendo autora de uma obra poética marcada por uma forte intensidade imagética e simbólica. A sua escrita atravessa diferentes temas, frequentemente convocando referências clássicas e mitológicas. Nos seus textos, o orgânico e o simbólico fundem-se, dando origem a uma expressão densa e evocativa, onde a palavra assume uma dimensão quase transformadora, próxima de um gesto alquímico. 

Entre as novidades da Planeta de Livros, destaque para livro de Iandê Albuquerque

Entre as novidades deste mês de Abril da Planeta, que conta com a edição comemorativa dos 25 anos de A Sombra do Vento, a obra maior de Carlos Ruiz Zafón, destaque para a estreia do brasileiro Iandê Albuquerque em Portugal. Entre outras novidades, eis alguns dos títulos que já estão ou que chegarão aos escaparates livreiros até ao final do mês.
No seu novo livro, a autora best-seller Sofia Castro Fernandes partilha de forma honesta como foram os últimos anos da sua vida, escrevendo sobre as fases que muitas mulheres atravessam em silêncio. Às Vezes Mudar é Ficar é um livro sobre mudança, ajustes. Sobre aprender a viver noutro ritmo e perceber que ficar, às vezes, é o gesto mais corajoso de todos.

Sofia Castro Fernandes é autora de Acredita - Coisas Boas Acontecem, Inspira(te) e Mereces (muito) mais do que aquilo que sonhas, todos já publicados pela Planeta.

Iandê Albuquerque, escritor e criador de conteúdo brasileiro, conhecido principalmente por textos sobre amor próprio, relacionamentos e autoconhecimento, começou a ganhar destaque há cerca de 10 anos, quando passou a publicar reflexões nas redes sociais — aquelas frases diretas em que todos nos identificamos. Hoje ele é considerado um autor de desenvolvimento pessoal bem popular, com milhões de seguidores e vários livros publicados, entre eles, Talvez a tua jornada seja agora só sobre ti, o primeiro que é editado em Portugal.
A premissa da obra é: Todos dizem «vai ficar tudo bem». Este livro mostra o caminho até lá.

Inspirado nas suas próprias experiências, a jornalista e autora francesa Sidonie Bonnec revela, em Canção de Embalar, o seu livro de estreia, que a loucura mais obscura se esconde por trás da fachada de uma família perfeita.

Este tríler psicológico ambientado nos subúrbios londrinos foi finalista de vários prémios literários franceses. Publicações como Livres Hebdo e Paris Match salientaram o equilíbrio entre realismo e suspense, confirmando Bonnec como uma nova voz do género policial francês.

As ideias que moldaram a guerra — e continuam a explicar os conflitos de hoje. De Sun Tzu a Clausewitz e de Maquiavel a Foch, Mestres da Estratégia explora o pensamento de 22 dos maiores estrategistas da História. Este livro, de Olivier Wieviorka (autor também de História Total da Segunda Guerra Mundial, editado pela Crítica em 2024) é uma obra indispensável que oferece uma visão global e nos permite entender os conflitos do passado, decifrar os desafios do presente e antecipar as estratégias do futuro.


Um dos lançamentos de Março da editora: A Química das Emoções, de Nuno Maulide.

Nova edição de «Expiação», de Ian McEwan, entre as novidades do Grupo Guerra & Paz


A
 Guerra e Paz editores celebra 20 anos! Nas palavras do editor Manuel S. Fonseca, «Estamos a crescer muito acima do crescimento do mercado e a ganhar solidez. Hoje, a Guerra e Paz, que chegou a parecer condenada, é uma editora com apetite de futuro. (...) Hoje, a Guerra e Paz já é um pequeno grupo. Tem uma nova chancela (...) e integrou, há 6 meses, a Gradiva Publicações.»


Seguem alguns títulos que vão ser publicados até ao final deste mês pela Guerra & Paz, EuforiaGradiva.


Expiação é, porventura, a melhor obra de Ian McEwan. Descrevendo de forma brilhante a infância, o amor e a guerra, a Inglaterra e a diferença de classes, contém no seu âmago uma exploração profunda – e muito comovente – da vergonha, da penitência e da dificuldade da absolvição. Este é o regresso de um clássico moderno, que já vendeu mais de dois milhões de exemplares e que também inspirou o filme franco-britânico de 2007, 'Atonement', com Keira Knightley.
O Que Podemos Saber e Cães Pretos são livros so autor que foram recentemente publicados/reeditados.

Em Minha Querida Mamã, A Mãe de Fernando Pessoa, o escritor João Pedro George toca um ponto sensível: o papel de Maria Madalena na vida do filho Fernando Pessoa nem sempre tem sido tido em devida conta pelos especialistas na obra do poeta. 
Graças à descoberta de um conjunto de poemas da mãe de Pessoa, que sobreviveram inéditos durante perto de 100 anos, este livro (que inclui outros poemas e excertos de cartas nunca publicados) vem resgatá-la dos porões do esquecimento, lançando uma luz poderosa, impregnada de um tom sépia, sobre a mulher mais importante da vida do artista que se desdobrou em vários heterónimos.
Organizada e apresentada pelo biógrafo de personalidades como Marquesa de PaivaHerberto Helder
 ou Fernando Pessoa, esta obra abre uma janela sobre o passado mais longínquo do genial poeta português, permitindo ao leitor ver a família de Pessoa através dos olhos da mãe.


Elogio da Leitura, considerado um dos mais belos textos de Marcel Proust, é um ensaio intemporal sobre o valor de se ler reflectidamente e o papel transformador que os livros podem ter na nossa vida. O texto descreve as alegrias e desafios que a literatura oferece, assim como o poder que folhear um livro, sentir o seu aroma e lê-lo com verdadeiro prazer tem de moldar a nossa visão de nós mesmos, dos outros e do mundo, de acender debates e paixões, e de nos oferecer consolo nos dias mais difíceis.


Obra notável pela pureza de pensamento e de linguagem, Ensinamentos Zen do Mestre Huang-Po combina retórica coloquial com sofisticação doutrinária, tornando os ensinamentos acessíveis e permitindo ao leitor ter uma visão profunda, e muitas vezes surpreendente, sobre as riquezas do pensamento oriental. 
Como a maioria dos mestres, Huang-Po passava os seus conhecimentos por meio de parábolas em sermões, anedotas e diálogos proferidos ante multidões. Esta obra é uma compilação feita pelo influente estadista P’ei Hsiu, seu discípulo devoto, que permite ao leitor ocidental compreender o zen a partir da fonte original.


Caro Leitor é um dark romance cheio de suspense, com o trope «porque escolher», de Tate James, autora bestseller do USA Today de romances contemporâncos e de suspense, com incursões pontuais na fantasia, romances paranormais e fantasia urbana.

A Teoria de Tudo, de Stephen Hawking, é uma viagem fascinante pelo universo e pelos limites do conhecimento humano. O físico que desvendou os segredos dos buracos negros e da origem do universo partilha a sua visão única sobre as leis que regem tudo o que existe. Um livro para «quem queira conhecer "a mente de Deus"», disse Hawking.


O Nome da Rosa, que revelou o génio narrativo de Umberto Eco, surge numa edição enriquecida com desenhos e notas do autor. Fenómeno editorial, traduzido em mais de 60 países, este romance é um clássico que arrebata os leitores. A obra teve adaptação cinematográfica em 1986, com realização de Jean-Jacques Annaud.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

O que diz a ciência sobre o impacto da pornografia no cérebro


À venda a 21 de Abril, estará uma das novidades de não-ficção deste mês da Dom Quixote, uma obra pioneira que visa alertar
 os efeitos do consumo de pornografia online nos jovens e adultos.
A publicação de A Pornografia no Teu Cérebro (Your Brain on Porn: Internet Pornography and the Emerging Science of Addiction) é um marco no campo dos efeitos da pornografia e das dependências comportamentais em geral; um livro essencial para compreender este problema num mundo em que os comportamentos aditivos são um grande negócio. 
Em 2010 criou o website YourBrainOnPorn.com para compilar estudos e relatos sobre o consumo compulsivo de pornografia. Ficou famoso com a palestra TEDx «The Great Porn Experiment», que tem 44 milhões de visualizações, e impulsionou o debate público.

Sinopse
Pode o consumo de pornografia online afetar o cérebro? Tornar-se num comportamento viciante e provocar disfunções sexuais? Será esta questão um problema das sociedades atuais, nas quais os conteúdos explícitos estão ao alcance do telemóvel?
Neste livro pioneiro, o educador Gary Wilson revela com rigor científico o que acontece ao cérebro dos consumidores regulares de pornografia. Explica, numa linguagem acessível e divulgativa, como funciona o sistema de recompensa e a armadilha da estimulação crescente. Partilha experiências concretas vividas por quem passou por esta situação, contadas na primeira pessoa. E explica o que se deve fazer para ultrapassar a vontade descontrolada e recuperar o controlo.
Escrito a pensar em quem se interessa pelo consumo exagerado de conteúdos sexuais,  A Pornografia no Teu Cérebro ajuda a confrontar essa realidade, a aprofundar o conhecimento do corpo e da mente humanas e - acima de tudo - recuperar a sexualidade saudável e plena, que integra a afetividade e a intimidade. 

«O livro explica como a abundância de pornografia gratuita está a causar problemas sérios a milhares de pessoas, principalmente jovens e oferece orientação sobre como quebrar o ciclo de uso compulsivo de pornografia.» – Dra. Nicole Oei, PhD, Addiction, Development and Psychopathology (Adapt) Lab, Departamento de Psicologia, Universidade de Amesterdão 
 
«A Pornografia no Teu Cérebro é a análise mais ponderada, completa e rigorosa sobre o vício em pornografia online existente.» 
 Anthony I. Jack, professor de Filosofia, Psicologia, Neurologia e Neurociência, Case Western Reserve University

«O Romance dum Homem Rico», de Camilo Castelo Branco

Editora: Imprensa Nacional 
Data de publicação: Julho 2025
N.º de páginas: 248

O Romance dum Homem Rico foi escrito na Cadeia da Relação do Porto, em 1861, durante o período em que o autor aguardava julgamento por um processo de adultério com Ana Plácido — um episódio que marcará profundamente a sua vida e obra. 
A ideia principal do romance é a de que a riqueza não traz felicidade, mostrando o vazio de uma vida guiada apenas pelo dinheiro. Camilo Castelo Branco usa a narrativa para criticar a sociedade da época, mostrando como a obsessão pela riqueza e pelo estatuto social pode levar à solidão, à frustração e à falta de sentido na vida. O protagonista acaba por confrontar a ideia de que valores como o amor, a sinceridade e os afetos são mais importantes do que o dinheiro. 
O Romance dum Homem Rico notaliliza-se pela elegância da escrita e pela profundidade psicológica das personagens. A narrativa é envolvente e cativante, mantendo o interesse do leitor do início ao fim. Pela sua qualidade literária e аctualidade dos temas, é uma obra altamente recomendada a todos os que apreciam romances ricos em conteúdo e sensibilidade.

Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado e Memórias do Cárcere são outros títulos que fazem parte da colecção de edições críticas da Imprensa Nacional. 

Excerto 
«Desculpa-me, meu amigo. Não queiras milagres, que as orações das servas de Deus não conseguiram. Houve aí muito quem pedisse ao Senhor um raio de conforto e de alegria para mim: o que o céu me concedeu foi a conformidade, e o amor deste menino. 
Maria já evitava o praticar a sós com seu marido. Magoavam-na os termos amorosos com que ele enfeitava a sua paixão para dar lenitivo aos pungimentos do seu remorso.» (p. 117)

terça-feira, 7 de abril de 2026

O aclamado romance de Natalia Timerman que aborda o fenómeno do ghosting


Natalia Timerman (n. 1981) é médica psiquiatra, psicoterapeuta, doutoranda em literatura e escritora brasileira.
Depois de lançar em Portugal, em 2024, As Pequenas Chances, a Tinta-da-china publica em meados deste mês Copo Vazio
um fenómeno de vendas no Brasil, selecionado como
um dos melhores livros de 2021 pela revista 'Quatro Cinco Um'.

Este é um romance que abre um longo debate sobre ghosting, que tornou-se comum na era digital. 
À venda a 23 deste mês, com o selo Tinta-da-china.


Texto de apresentação
Mirela é uma mulher bem-sucedida, inteligente, tranquila, alegre na sua rotina dentro de uma grande cidade. Pelo menos até submergir quase por acaso numa relação de alguns meses com Pedro, um homem discreto, a fazer doutoramento, atraente mas algo inseguro.

A partir da «felicidade insuportável» afirmada por Clarice Lispector, que seria um copo cheio, Copo Vazio atira-nos diretamente para o desamparo. Na história de uma relação que ecoa modernidade — encontro numa aplicação, ghosting —, o livro carrega a voz intemporal de sentimentos tantas vezes dissecados e nunca resolvidos: o sofrimento amoroso, a devastação perante o abandono, a incompreensão de tudo o que continua a existir em redor, as perguntas sem resposta. É possível conhecer realmente outra pessoa? Dá para carregar sozinho o peso do fim de uma relação? E quando é que «uma história pode terminar em paz, tendo-se cumprido?» 

Outras novidades da editora

Suíte Tóquio, de Giovana Madalosso; À Flor da Língua, de Gregorio Duvivier.

«À Noite os Pés são Frios», o livro de Margarida Damião Ferreira que fala sobre solidão e envelhecimento

Texto sinóptico
Num dia chuvoso, Alice cai num buraco e com essa queda arrasta-nos pelos caminhos da memória, do ressentimento, da solidariedade e da solidão, da sua vida e das que com ela se cruzam.
No seu primeiro livro de ficção para adultos, Margarida Damião Ferreira agarra o leitor a uma reflexão sobre a forma como, até com amor, somos capazes de abandonar os mais velhos.
Uma narrativa forte e intimista, que cativa pela sua humanidade, pelo foco na importância da presença, do cuidado e dos afetos, e pela coragem em pôr a nu o desertificar dos sentimentos no seio familiar.

Nota da autora
«Há neste livro a preocupação central com o abandono dos mais velhos. O abandono que pode tomar várias formas, desde a mais cruel e violenta, à mais doce, atenta e protetora. O abandono toma conta até das relações familiares em que existe amor, porque a evolução da forma de vida em sociedade assim o dita, assim nos encaminha. É o retrato duma forma de estar coletiva que causa solidão. É o confronto com a consciência de que a solidão mata e de como, através dela, somos capazes de fazer morrer, aos poucos, os nossos. Só os que amamos, nos podem deixar sós. À Noite os Pés são Frios é o meu primeiro livro de ficção.»

Lê um excerto do livro, aqui, e a opinião da apresentadora Júlia Pinheiro, aqui.

Sobre a autora
Margarida Damião Ferreira nasceu em Lisboa, em 1979. Licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa e é mestre em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Católica Portuguesa. É actualmente administradora executiva duma empresa do sector da construção. 
É autora dos livros A Pulga Salta-Pocinhas e os Grãos de Areia (Editorial Presença, 2004), Assim, como as cerejas… (Papiro Editora, 2008) e De Grãos, Uma Mão Cheia (edição de autor, 2011). 

domingo, 5 de abril de 2026

«Isola», de Allegra Goodman

Editor: ASA
Data de publicação: 17-03-2026
N.º de páginas: 432

Na França do século XVI, mergulhamos na vida de Marguerite de La Rocque, uma jovem aristocrata cujo destino é abruptamente alterado pela morte precoce dos pais: «Não conheci a minha mãe. Ela morreu na noite em que nasci, e foi assim que nos cruzámos na escuridão (…) Também não conheci o meu pai. Quando eu tinha três anos ele morreu a combater. (…) Fiquei então rica.» A ambição implacável do seu guardião, que a conhece quando ela tem 9 anos, mergulhou a sua existência numa sombra de sofrimento. 
O romance acompanha a transformação de uma menina privilegiada, rodeada de luxo e segurança, numa mulher resiliente, capaz de sobreviver às condições mais extremas numa ilha desolada da Nova França. Allegra Goodman inspira-se na história real de Marguerite, reconstruindo com sensibilidade e rigor histórico a sua odisseia de solidão, sobrevivência e autodescoberta. 
A autora destaca-se na construção de um enredo envolvente, com capítulos ritmados e cliffhangers que mantêm o leitor em constante tensão. A narrativa explora o confronto entre privilégio e vulnerabilidade, revelando, através da protagonista e da sua ama Damienne, temas universais como a força interior, a fé, a identidade e a resistência humana. A prosa lírica da autora americana imprime elegância e intensidade emocional à história. 
Isola é, simultaneamente, uma epopeia histórica e uma reflexão sobre a autonomia feminina. A autora (que publicou os livros Sam, The Other Side Of The Island, Paradise Park, entre outros) consegue equilibrar factos históricos sem idealizar ou suavizar as dificuldades enfrentadas.
A história de Marguerite, privada de tudo e obrigada a enfrentar a Natureza, é uma poderosa celebração do espírito humano e da capacidade de adaptação e coragem. Para quem aprecia romances históricos que combinam pesquisa meticulosa, lirismo e personagens femininas fortes, Isola é uma leitura memorável e inspiradora. 

Excerto
«A nossa ilha era, ao mesmo tempo, bela e estranha. Sob a luz matinal, as ondas eram prata líquida. A neblina colava-se a nós e era como se caminhássemos no meio de uma nuvem branca. Ao largo, as aves marinhas esvoaçavam em círculos e mergulhavam no mar para apanhar peixes.» (p. 229)

sábado, 4 de abril de 2026

A biografia de Álvaro Siza Vieira, o maior representante da arquitetura modernista portuguesa

A Última Lição de Álvaro Siza Vieira revisita, na primeira pessoa, a vida e o pensamento de uma das figuras maiores da arquitectura contemporânea mundial. O arquitecto português, distinguido com o Prémio Pritzker, o mais importante galardão da arquitectura, deixa-se descobrir numa conversa que convoca as memórias e as reflexões de um criador deslumbrado, que não se cansa de procurar os lugares de beleza e que ainda sonha com o que está por fazer.
Patrícia Reis, conhecida pela sua habilidade em retratar personalidades complexas com sensibilidade e clareza, constrói um retrato rigoroso e sensível, no qual a voz de Álvaro Siza Vieira se impõe com clareza e autenticidade. Num registo íntimo e profundamente humano, este livro de referência sobre arquitectura e o estado da arte em Portugal e no mundo, percorre o trajecto do arquitecto desde a infância até ao reconhecimento internacional, revelando não apenas o criador consagrado, mas também o homem que nunca deixou de observar o mundo com curiosidade. 
Esta é a biografia obrigatória do mais premiado arquiteto contemporâneo português, construída a partir de uma longa conversa conduzida pela autora de O Lugar da Incerteza (2026), A Desobediente - Biografia de Maria Teresa Horta (2024), As Crianças Invisíveis (2019), entre outros títulos. 

Se Eu Quisesse, Enlouquecia - Biografia de Herberto Helder é uma outra biografia que faz parte da colecção da Contraponto Editores.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

«Amor e Desconcerto do Mundo», uma abordagem abrangente da lírica camoniana


Após a publicação de Amore e Disordine del Mondo – sonetti e altre poesie (edição bilingue português-italiano), a Shantarin Editora apresenta agora a versão monolíngue Amor e Desconcerto do Mundo – sonetos e outros poemas. Nesta obra de Luís de Camões, desafia-se a leitura tradicional da lírica camoniana: mais do que um simples tema literário, o amor afirma-se como a força que simultaneamente estrutura e desestabiliza o mundo e o próprio sujeito.

Resultado de uma abordagem que encara o amor como elemento estruturante da existência e das relações humanas, esta antologia distancia-se de uma visão homogénea ou cristalizada de Camões, destacando antes a riqueza e complexidade do seu pensamento poético. Amor e Desconcerto do Mundo – sonetos e outros poemas propõe uma interpretação da experiência amorosa nas suas diversas manifestações, atravessando dimensões afetivas, éticas e sociais, e revelando-a como um espaço privilegiado de tensão, conflito e conhecimento.

Organizada e traduzida pela reconhecida camonista Valeria Tocco (Università di Pisa), esta edição percorre um arco que vai da exaltação do amor neoplatónico ao pessimismo melancólico do Maneirismo. O volume inclui ainda um ensaio de Vítor Manuel de Aguiar e Silva (Universidade do Minho) e ilustrações de Marta Nunes, que acrescentam uma nova dimensão estética aos versos do autor de Os Lusíadas.

Erros meus, má fortuna, amor ardente,
em minha perdição se conjuraram;
os erros e a fortuna sobejaram,
que para mim bastava amor somente.

«Camões está para o imaginário coletivo português como Dante para o italiano ou Shakespeare para o inglês: é o grande poeta, o fundador da identidade cultural nacional» Valeria Tocco

O clássico ensaio de José Medeiros Ferreira sobre a Revolução do 25 de Abril


No mês em que se assinalam os 52 anos da Revolução dos Cravos, importa destacar a obra A Revolução do 25 de Abril. Ensaio Histórico, de José Medeiros Ferreira, publicada pela Shantarin Editora e actualmente na sua 3.ª edição.
A presente edição é enriquecida por um texto de introdução (lê um excerto aqui) da autoria de Pedro Aires Oliveira e Maria Inácia Rezola, que contribui para um enquadramento historiográfico mais aprofundado da obra. De referir que este livro integra as recomendações do programa LER+, do Plano Nacional de Leitura.

Texto sinóptico
A 25 de abril de 1974, um grupo de militares portugueses derrubou uma das últimas ditaduras da Europa ocidental do séc. XX e apresentou-se ao País com um programa político assente em três pilares: Democratizar, Descolonizar e Desenvolver. Aquela que ficou conhecida como a Revolução dos Cravos inaugurava a «terceira vaga da democratização» (Samuel P. Huntington), que depois atingiu a Espanha, a Grécia e dezenas de outros países na América Latina, na Ásia e Pacífico, em África e na Europa de Leste.

Um ano antes, em Abril de 1973, fora apresentada ao 3.º Congresso da Oposição Democrática em Aveiro uma tese que José Medeiros Ferreira enviara do exílio na Suíça. Na referida tese, recebida com desconfiança por vários setores da Oposição, mas que viria a revelar-se premonitória, o autor sublinhava a necessidade de envolvimento das Forças Armadas, primeiro, para pôr termo à ditadura e à guerra nas colónias africanas, e depois para apoiar a execução de um plano de ação nacional que, precisamente, conduzisse à descolonização, à democratização e ao desenvolvimento. Da pena de Medeiros Ferreira — que, regressado do exílio pouco depois da Revolução, desempenhou um papel de relevo na abertura da jovem democracia portuguesa à Europa e ao mundo, afirmando-se mais tarde como um dos mais brilhantes académicos de história contemporânea da sua geração — sairia à estampa, em 1983, o Ensaio Histórico sobre a Revolução do 25 de Abril, que agora se reedita.

Nesta primeira tentativa, pioneira e ousada, de registar uma história da Revolução portuguesa, reconhecendo os riscos da proximidade temporal entre o texto e o objeto de estudo, e bem assim da proximidade entre o narrador e a ação histórica em que fora interveniente, o autor impôs-se um redobrado esforço de rigor metodológico, nomeadamente na seleção, análise e interpretação das fontes disponíveis, legando uma obra que se mantém fundamental, atual e intelectualmente desafiante.

O autor
José Medeiros Ferreira (1942-2014), nascido em S. Miguel, Açores, doutorou-se em História Institucional e Política e foi docente universitário. Enquanto político, fez parte do primeiro Governo Constitucional de Portugal, em 1976. É autor, entre outros, dos livros Os Açores na Política Internacional (2011) e da 
obra póstuma Memórias Anotadas (2017).

Edição em espanhol: La Revolución de los Claveles en Portugal. Ensayo histórico

«A Península das Casas Vazias», o maior fenómeno editorial em Espanha

J. Teixeira de Aguilar trabalhou na tradução portuguesa de A Península das Casas Vazias, obra narrada em tom de realismo mágico, fruto de quinze anos de trabalho e de uma exaustiva viagem de documentação e memória pela geografia espanhola. Para a sua criação, recebeu as bolsas Leonardo e Montserrat Roig.
Ainda hoje, dois anos depois de ter sido publicado, não há em Espanha quem não fale deste romance, já considerado um dos mais importantes sobre a Guerra Civil espanhola, com mais de 300 mil exemplares vendidos, prémios atrás de prémios, assim se tornando num dos maiores acontecimentos literários dos últimos tempos. 
David Úcles
(n. 1990), a nova estrela das letras espanholas é licenciado e mestre em Tradução e Interpretação, escritor, músico e desenhador.
Publicou os romances La ciudad de las luces muertas (2026), La Península de las Casas Vacías (2024), Emilio y Octubre (2020) e El llanto del león (2019). 

A Península das Casas Vazias (obra com 688 páginas; ebook disponível aqui), que chegou às livrarias a 24 de Março, recebeu os seguintes prémios:

Prémio Cálamo Melhor Livro do Ano 2024
Prémio Dulce Chacón 2025
Prémio Andaluzia da Crítica 2025
Prémio Kelvin 505 para o melhor romance original em castelhano 2025
Prémio Espartaco para o melhor romance histórico 2025
Prémio Literário Arcebispo Juan de San Clemente 2025
Prémio Festival 42 para melhor romance em castelhano 2025
Prémio Un Año de Libros 2025 El Corte Inglés Melhor Livro de Ficção

Sinopse
Estamos em presença da história da decomposição total de uma família, da desumanização de um povo, da desintegração de um território e de uma península de casas vazias.
A história de um soldado que retalha a pele para deixar sair a cinza acumulada, de um poeta que cose a sombra de uma menina a seguir a um bombardeamento e de um professor que ensina os seus alunos e fazerem-se de mortos; de um general que dorme junto da mão cortada de uma santa, de um menino cego que recupera a vista durante um apagão e de uma camponesa que pinta de preto todas as árvores do seu quintal; de um fotógrafo estrangeiro que pisa uma mina perto de Brunete e não levanta o pé durante quarenta anos, de um habitante de Guernica que conduz até ao centro de Paris uma furgoneta com os restos fumegantes de um ataque aéreo e de um cão ferido cujo sangue tingirá a última faixa de uma bandeira abandonada em Badajoz.
Estamos, pois, em presença da história total da Guerra Civil espanhola e de uma Ibéria agonizante onde o fantástico escora a crueza do real; onde os anónimos membros de um extenso clã de olivicultores de Jándula cruzam os seus destinos com os de Alberti, Lorca e Unamuno; Rodoreda, Zambrano e Kent; Hemingway, Orwell e Bernanos; Picasso e Mallo; Azaña e Foxá; onde o épico e o costumbrista se entrelaçam para tecer uma portentosa tapeçaria, poética e grotesca, bela e delirante.

Elogios
«Uma família do Sul afunda-se na Guerra Civil espanhola como na maldição de um naufrágio. David Uclés relata a história desta estirpe – espelho de um país inteiro – com perfeito pulso narrativo e exuberância, com insólito engenho, com humor e dor, com o dom da fantasia alada e a imagem nítida.» Irene Vallejo

«É um livro único e extraordinário. Comoveu-me e fez-me entender e sofrer pela Guerra Civil de Espanha. Personagens inesquecíveis e uma prosa mágica que desafia os limites da realidade.» Gioconda Belli

«Que a imaginação é porventura a ferramenta mais reveladora, sólida e bela de investigação da realidade é algo que David Uclés demonstra em cada página deste livro, capaz de encontrar beleza nas paisagens desoladas de um dos episódios mais importantes da história recente da Europa, que talvez tenha sido contada antes, mas nunca assim.» Fernando León de Aranda

«Nenhum romance contemporâneo me comoveu tanto como A Península das Casas Vazias. Estou assombrado e agradecido.» Pablo Martín Sánchez

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Chegam a Portugal livros de Tara Menon e Siri Hustvedt com tradução de Tânia Ganho

Tânia Ganho assina a tradução de dois livros que vão ser lançados nas próximas semanas, pelas editoras Livros do Brasil e Dom Quixote.

Debaixo de Água é uma história sobre amizade e luto, sobre a beleza e a devastação do mundo natural. Este romance de estreia da escritora indiana Tara Menon, actualmente a viver nos Estados Unidos da América, teve direitos vendidos para mais de trinta línguas ainda antes do lançamento. Aclamado pela crítica internacional pela profundidade poética, chega às livrarias a 2 de Abril.

Fantasmas - Um livro de memórias, a publicar a 5 de Maio, é um relato biográfico da autoria da romancista, ensaísta e poeta americana Siri Hustvedt. O livro inclui o esboço da última obra de Paul Auster - seu ex-marido falecido em Abril de 2024. Verão Sem Homens, Aquilo que Eu Amava, Elegia Para Um Americano, O Mundo Ardente (tradução de Tânia Ganho) são títulos de alguns dos seus livros publicados no nosso país. A sua obra está traduzida para mais de trinta línguas.  

Texto sinóptico
Quando Marissa perde a mãe, aos seis anos, é levada pelo pai para viver numa pequena ilha tailandesa, no mar de Andamão. É aí que conhece Arielle e juntas tornam-se companheiras de exploração das maravilhas da natureza envolvente, feita de florestas, recifes e praias. Sustendo a respiração, mergulham cada vez mais fundo e nadam lado a lado com as jamantas, que aprenderam a reconhecer individualmente. Até que, a 26 de dezembro de 2004, um tsunâmi se ergue do oceano Índico e as duas amigas são separadas pelas águas que tanto as haviam unido. Oito anos mais tarde, Marissa vive em Nova Iorque e à medida que uma tempestade de grande intensidade se aproxima vê-se levada de volta ao passado e a uma reflexão sobre a fragilidade da existência. 



Texto sinóptico
Fantasmas é a obra mais pessoal de Siri Hustvedt até à data, uma reflexão sobre os mais de quarenta anos que passou com o marido - o escritor, poeta e cineasta Paul Auster -, desde o encontro de ambos na Nova Iorque dos anos 1980 até à morte dele, em 2024. Siri Hustvedt partilha entradas de diário, notas e cartas de amor trocadas ao longo das décadas, bem como o último livro de Paul Auster - o inacabado Cartas a Miles - dedicado ao neto, nascido a 1 de janeiro de 2024. Parte livro de memórias, parte investigação filosófica, Fantasmas explora a intimidade de uma vida partilhada, os rituais do luto, o poder da linguagem e a própria natureza humana. É uma reflexão profunda sobre o que deixamos para trás e os fantasmas que habitam em nós - mesmo quando seguimos em frente. 

Outro livro de memórias a publicar pela LeYa: Indignidade - Uma vida reimaginada, de Lea Ypi

terça-feira, 31 de março de 2026

«Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado», de Camilo Castelo Branco

Editora: Imprensa Nacional 
Data de publicação: Julho 2024
N.º de páginas: 186

Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado é uma obra satírica que conta a história de Basílio, um homem pobre e sem grande valor social que, através de um “enxerto” (uma metáfora para mudança de identidade e ascensão artificial), consegue integrar-se na alta sociedade. Ao longo das suas aventuras, Camilo Castelo Branco critica com humor e ironia a futilidade, o oportunismo e a hipocrisia das classes sociais, mostrando como a aparência e o estatuto podem ser construídos de forma enganadora. 
Publicado em 1863, esta é uma sátira à ambição social e à falsidade, mostrando o ridículo de quem vive de aparências. Camilo usa humor e ironia para mostrar como este tipo de comportamento é vazio e criticável. 
É de destacar em Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado, o humor inteligente e pela criatividade na construção da personagem principal. A linguagem simples e irónica torna a leitura leve e envolvente, enquanto as situações caricatas revelam uma crítica social subtil. É uma narrativa dinâmica e divertida, capaz de entreter e fazer refletir ao mesmo tempo. Altamente rexomendado. 
Memórias do Cárcere e A Sereia são outros títulos que fazem parte da Colecção 'Edição Crítica de Camilo Castelo Branco', da Imprensa Nacional.

Excerto 
«Brígida apaixonou-se pelo seu poeta, e ele cegamente por Brígida, que, no tocante a cara, valia mais que Etelvina, se me é fiel a memória; de costumes, porém, devo crer que estivesse algum tanto estragada, apesar da pureza atmosférica do convento. 
Devia ser ela quem animou Basílio ao destempero de saltar à cerca do mosteiro pelo lanço mais acessível da muralha. Foi ali pelo Postigo-do-Sol, entre a primeira e segunda ameia, que o temerário escalou o pomar, com ajuda de uma escada de pau, segurada por um caixeiro, já useiro e vezeiro de quejandos assaltos à ternura de outros tachos, abominavelmente viciosos.» (pp. 44-45) 

domingo, 29 de março de 2026

«A Mente Criminosa» é o título de uma das novidades das Edições Sílabo


O primeiro livro, cuja sessão de apresentação decorreu no passado dia 23, contou com a participação de Susana Pinto de Almeida (Psiquiatra Forense), de João Cabaço (Especialista de Polícia Científica) e de José Carlos Antas (Perito Forense – Polícia Judiciária).
O autor, Paulo Finuras, é sociólogo e doutor em Ciência Política. É autor de vários livros, entre os quais: Da Natureza das Causas – Psicologia Evolucionista e Biopolítica (2020), As Outras Razões – Como a Evolução dá sentido àquilo que fazemos (2023) e Os Demónios da Nossa Natureza – Porque é que o autoritarismo é natural e a democracia não? (2025).

Rui Tavares Guedes (Diretor da revista Visão) e de José Roquette (Presidente do Conselho de Administração da Herdade do Esporão) foram os anfitriões da apresentação do livro de Carlos Alberto Cupeto, que ocorreu na passada quinta-feira. 
O autor é 
formado em Geologia e professor na Universidade de Évora desde 1987. No Ministério do Ambiente exerceu cargos dirigentes durante uma década. Foi fundador da TTerra – Engenharia e Ambiente e da APEMETA, diretor da revista 'Indústria & Ambiente', espaço de referência nas tecnologias ambientais. 


Texto de apresentação

A violência, o engano e o crime não são desvios ocasionais da vida social. Atravessam culturas, épocas e sistemas políticos, assumindo formas diferentes, que revelam padrões recorrentes.

Para compreender o crime, é necessário compreender a mente humana. Neste livro, o autor explora as raízes profundas do comportamento violento e transgressor, articulando contributos da psicologia evolucionista, da neurociência, da psicologia social e da criminologia. Longe de explicações simplistas ou moralistas, analisa como mecanismos cognitivos adaptativos – moldados para a sobrevivência e a cooperação – podem, em determinados contextos, dar origem à agressão, à fraude e à transgressão recorrente das normas sociais. 
O que leva seres humanos comuns a mentir, manipular, agredir ou matar?
Uma leitura clara e rigorosa, para leitores com ou sem formação especializada, sobre um dos fenómenos mais persistentes e inquietantes da vida social.

Sobre o livro
«Com A Mente Criminosa, o professor Paulo Finuras dá un contributo inestimável para o conhecimento do fenómeno criminal. A sua compreensão exige uma perspetiva que não pode dispensar o enquadramento evolutivo, aqui rigorosamente fundamentado na sociobiologia e na psicologia evolutiva, áreas em que Paulo Finuras é referência e figura de destaque.»
 – João Carlos Melo (Psiquiatra, Psicoterapeuta e autor de livros como Renascer das Cinzas e Uma Luz na Noite Escura)



Texto de apresentação
Vivemos numa época em que a palavra sustentabilidade é repetida até à exaustão, enquanto o modo de vida dominante continua a empurrar a Humanidade para um colapso anunciado. Conferências globais, metas climáticas e soluções tecnológicas sucedem-se, mas os resultados são escassos. Este livro parte de uma constatação simples e incómoda: o problema não é técnico, é civilizacional.
A crise ecológica não é um problema distante ou abstrato, nem um drama da Terra enquanto sistema geológico. É, sobretudo, uma crise humana — de escala, de cultura, de pertença e de sentido. O crescimento infinito num planeta finito, o consumismo insaciável e a confiança ingénua na tecnologia revelaram-se incapazes de garantir bem-estar duradouro ou justiça ecológica.
Contra a ilusão de uma sustentabilidade global sem rosto, o autor propõe um reenquadramento radical: a vida local como caminho regenerativo. É no lugar — onde há solo, água, ar, memória e relações — que a vida acontece e onde a transição ecológica pode ganhar verdade. Inspirando-se na geografia humanista, na ecologia profunda e em exemplos concretos do território português, este livro defende que a sustentabilidade só é possível quando é vivida e partilhada pelas comunidades. 

Excerto
«Temos em mão um enormíssimo desafio, o modo de vida na Terra como a conhecemos, que nos exige uma radical mudança em alguns paradigmas que têm sustentado as crenças da nossa existência. Como o vamos fazer? Esta é a grande pergunta; será que tem resposta e estamos disponíveis para a aceitar? Temos escolha? Qual é a alternativa?»

sexta-feira, 27 de março de 2026

Títulos da Colecção Edição Crítica de Camilo Castelo Branco, da Imprensa Nacional

O Romance dum Homem Rico e Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado são dois títulos que fazem parte da Colecção 'Edição Crítica de Camilo Castelo Branco', da Imprensa Nacional.

Texto de apresentação
O Romance dum Homem Rico
foi escrito, imediatamente antes de Amor de Perdição, na cadeia da Relação do Porto, em 1861, no momento em que Camilo ali aguardava julgamento do seu caso de adultério com Ana Plácido. 
Era o livro favorito do autor: «É o livro a que eu mais quero, e a meu juízo o mais tolerável de quantos fiz».
«Este foi o mais querido dos meus romances», dele disse o próprio Camilo. E mais: que havia de prevalecer a todos os que viessem. 


Texto de apresentação
«Basílio Fernandes é um sujeito de trinta e sete anos, com senso-comum, engraçado a contar histórias de sua vida, ativo negociante de vinhos no Porto, amigo do seu amigo, e bastante dinheiroso - o que é melhor que tudo já dito e por dizer. Seu pai chamou-se José Fernandes, por alcunha o Enxertado. Pegou-lhe a alcunha, porque, sendo ele natural de uma aldeia daquele nome em Trás-os-Montes, quando já era caixeiro, muitas vezes dizia aos seus companheiros de passeata, aos domingos: O Porto é boa terra; mas lá como o Enxertado ainda não pus os olhos noutra! A caixeirada, menos sensível à saudade das suas aldeias, ria do moço, e, por mofa, lhe chamava o Enxertado, alcunha que ele ajuntou ao seu nome com honras de apelido.» 

Da extensa colecção constam também: Memórias do Cárcere e A Sereia.

«Isola», o aclamado romance da autora americana Allegra Goodman

Da prestigiada autora Allegra Goodman, que vive na cidade de Cambridge, em Massachusetts, Estados Unidos, Isola é o novo título da ESCOLHA DA EDITORA, a nova colecção das Edições ASA.
Eleito um dos Melhores Livros do Ano por várias publicações, este é um romance épico baseado na vida real de uma heroína do século XVI. Isola (que significa “ilha” em italiano) foi traduzido para o nosso idioma por Elsa T. S. Vieira. A obra é uma magnífica celebração do poder do mundo natural e a história intemporal de uma mulher que descobre a sua verdadeira força.
Isola conquistou o Reese’s Book Club (clube de leitura de Reese Witherspoon) e chegou no passado dia 17 de Março aos leitores portugueses.

Texto sinóptico
Na França do século XVI, a jovem aristocrata Marguerite está destinada a uma vida próspera e previsível. Porém, a morte inesperada dos pais deixa-a à mercê de um guardião com poderes absolutos sobre o seu futuro e fortuna. Jean-François de la Rocque de Roberval é um homem instável que a obriga a acompanhá-lo numa arriscada viagem às novas colónias francesas da América do Norte. A solidão e o medo aproximam Marguerite de um criado; a relação entre ambos é intensa, mas proibida, e será punida de forma brutal. Quando Jean-François descobre, abandona-os numa ilha, sem qualquer esperança de resgate.
Outrora uma criança privilegiada que usava vestidos elegantes e entrançava pérolas no cabelo, Marguerite vê-se agora à mercê da Natureza. E, à medida que o clima se torna mais agreste, o gelo começa a cobrir a ilha… 

Sobre a colecção
ESCOLHA DA EDITORA surge quando a editora celebra 75 anos. Pretende unir passado e presente, apresentando novidades literárias de referência e livros emblemáticos e intemporais do catálogo da editora. Compromisso de Long Island de Taffy Brodesser-Akner, e Maurice, obra póstuma de E. M. Forster agora reeditada, estrearam, em Fevereiro, a colecção, à qual se juntarão, em breve Assunto de Família, de Claire Lynch, bem como as novas edições de A Vida em Surdina, de David Lodge e Servidão Humana, de Somerset Maugham.